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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

NA GRAFONOLA DO MARSUPILAMI | Ludo

Agora que começa a arrefecer, o Marsupilami decidiu ir até à região mais quente do país, ou seja, Algarve. Mais precisamente a Olhão, onde pudemos encontrar um projecto de ritmos amenos e doces. Chamam-se Ludo e editaram em Abril do corrente ano o seu primeiro trabalho, o EP “Nascituro”, ponto de partida para a conversa que se segue.

LUDO_CarimboAntes de mais, quem são os Ludo?

Os Ludo são Davide dos Anjos – Voz e guitarras; Paulo Conceição – Baixo; Nuno Campos – Teclados; João Baptista – Voz e guitarra; Filipe Kabeçadas – Bateria.

Como e quando é que este projecto nasceu?

Nasceu em  Agosto de 2005. Quando o Davide e o Nuno Campos decidiram juntar-se para formar um novo projecto, em português, livre de fórmulas e com abertura a todas as sonoridades. Chamaram então os restantes membros para dar forma ao projecto, desde o início sentimos uma forte ligação musical e começámos logo a trabalhar em algumas boas ideias.

Foi editado o vosso primeiro trabalho intitulado “Nascituro”, e do qual já roda o single de apresentação. Como tem sido o feedback ao mesmo, e no geral, ao vosso som?

O resultado tem sido bastante positivo, estamos contentes, pelo facto de termos já muitos  feedbacks, temos tido muitas visitas e muitos “plays” no nosso myspace, bons comentários do público em geral e nas redes sociais da internet (myspace, hi5, etc), rádios, até agora, muito bom.

Como caracterizam “Nasciturno”?

O “nascituro” é um disco com 6 canções originais, escolhidas entre outras para este lançamento. Foi gravado e masterizado no Algarve pelo produtor Luís Guerreiro no estúdio Exit One em Loulé, acreditamos que temos lá bons temas, com mensagens interessantes e boas histórias, que transmitem alguns pensamentos e divagações, mas principalmente todos os temas transmitem algo, nós tentamos dar sempre uma enorme importância a cada tema que construímos, sentimento, muito sentimento…

CAPA CD - oLUDO Nascituro

Onde se inspiram os Ludo?

Os ludo são 5 pessoas completamente diferentes, com gostos musicais completamente diferentes. Apesar disso, neste momento e com base na nossa forte relação, conseguimos evidenciar  já uma fonte de inspiração comum que é perceptiva na  sonoridade muito própria que a banda aplica a todos os temas.

Estão agora na fase da divulgação, talvez a fase mais complicada. Têm sentido dificuldades nesse campo?

Claro que sim, as dificuldades são muitas mas a nossa vontade sobrepõe-se. Acho que temos conseguido abrir portas que não estaríamos á espera de abrir, isto acontece porque temos a sorte e a oportunidade de trabalhar com pessoas que, acreditam tanto no Ludo como nós. É uma excelente equipa.

Ainda no campo da divulgação, a internet é actualmente um instrumento precioso - indispensável até – para a promoção de uma banda. Concordam com esta afirmação? E, qual a vossa opinião em relação à importância que a internet tem tido sobre a música?

A net hoje é imprescindível! Tem uma importância muito maior do que possamos pensar à partida. Principalmente para as bandas novas sem editora mas também para os artistas com contratos nas majors. Acima de tudo permite a critica instantânea sem tabus. Qualquer pessoa procura, ouve, gosta, não gosta, comenta, partilha, é um mundo de oportunidades. Também no nosso caso  tem-nos ajudado a chegar mais rapidamente a mais pessoas, que de qualquer outra forma.

Acham que existem iniciativas e espaços suficientes – quer em qualidade, quer em quantidade – no nosso país, para uma banda como os Ludo se apresentarem ao vivo?

Iniciativas não, espaços suficientes sim mas pouco distribuídos geograficamente. Portugal é um país riquíssimo em auditórios, bares, teatros, festivais, semanas académicas etc. Há quantidade e qualidade, por vezes falta é vontade…  Os promotores, nomeadamente os institucionais, preferem pagar mais e contratar uma banda conhecida do que arriscar nos novos valores da música nacional. Mesmo no caso de Bandas já com 10 anos e 2 e 3 discos gravados têm dificuldades em tocar ao vivo.

Qual a vossa opinião em relação ao actual panorama musical nacional?

É muito bom em termos de composição. Graças à revolução tecnológica é hoje mais fácil para as bandas gravar e apresentar o seu trabalho sem pedir licença a ninguém. Têm aparecido nos últimos 5 anos excelentes nomes no mercado e de grande potencial (destacamos: Linda Martini, X-Wife, Mundo Cão, Bunnyranch, Tiago Bettencout, Peixe:Avião, 2008, A Naifa, Deolinda, etc…)  e os mais conhecidos também têm dado cartas com grande qualidade no mercado ao nível de DVD’s ao vivo (Gift, David Fonseca, Clã, Xutos, entre outros). Resumindo, apesar da crise, os media têm nos últimos anos muito mais diversidade para apostar.

E em relação ao actual estado do país?

É uma pergunta difícil. O que dizer da nossa pequinês num mundo tão globalizado? Apenas isto, nós portugueses somos bons em todas as áreas e estamos convictos que evoluímos muito na ultima década.  Vamos enfrentar graves problemas sociais e financeiros em face do desemprego mas saberemos ultrapassar a crise de cabeça erguida. Face à nossa dimensão temos a vantagem de não estarmos tão expostos como muitos países da união europeia, não crescemos tanto como os outros mas em contrapartida também não colocamos em risco os nossos pilares económico-financeiros. Se resolvermos o problema da justiça estaremos preparados para enfrentar o futuro.

E agora, quais os próximos passos dos Ludo?

Depois do lançamento, o objectivo é tocar, em todo o lado. Levar o concerto até onde conseguirmos. Paralelamente estamos em fase de composição de novos temas para que possamos preparar com realismo o nosso próximo trabalho discográfico.

Uma última questão: qual a vossa personagem preferida de banda desenhada? 

O Zé Carioca e o coyote (aquele do bip bip).

1RGBCuriosidades:

Como surgiu o nome Ludo?

O ludo é uma reserva natural no Algarve que está inserida no parque natural da Ria Formosa.

Influências?

Diversas, basicamente tudo o que for boa música.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Todos os clássicos bem como as várias bandas que destacamos quando falámos no actual panorama musical nacional.

Myspace dos Ludo

Blog dos Ludo

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

NA GRAFONOLA DO MARSUPILAMI | JED Dickens

Jed Dickens. Um trio de amigos, que resolveu realizar um sonho. Tendo os fins-de-semana ocupados pelos seus concertos, Paulo Emperor numa segunda-feira, teve uma conversa bem animada com este trio de jovens músicos. Com melodias que facilmente “entram” no ouvido, os Jed tentam ultrapassar as barreiras e chegam mesmo a tocar além fronteiras. Uma banda alentejana de gema, que editou no dia um do corrente mês o primeiro trabalho da banda, o EP “For Some Clowns” que recomendamos vivamente.

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Acho que a primeira pergunta que se impõem é, porquê o nome Jed Dickens?

Eduardo (E) – (risos)

Daniel (D) - Respondo eu?

João Canhão (JC) - Pode ser. (risos)

D - A ideia surgiu do Canhão que disse isto, mais ou menos: "vamos arranjar um nome à carga que fique fixe". E foi aí que surgiu Dickens do escritor Charles Dickens, e JED são as nossas iniciais.

Uma ideia original. Há quanto tempo existe a formação?

JC - Cerca de um ano e pouco…

E - Um ano e uns mesitos, desde 15 de Dezembro de 2007, é não é?

D – Sim, os primeiros ensaios foram mais ou menos em finais de Dezembro de 2007!

São apenas três elementos? Qual a "função" de cada um?

E - Inicialmente éramos quatro, tínhamos mais um guitarrista, e nessa altura era o Daniel na voz principal e guitarra e o outro guitarrista fazia os coros, no entanto, por uns motivos teve de sair da banda e desde aí temos esta formação. Neste momento sou eu na bateria e coros, o João no baixo e coros e Daniel na guitarra e voz principal.

Sendo de Elvas, é fácil a divulgação do vosso trabalho?

D - Hum... não é assim tão fácil, isto é, na nossa cidade apenas existe um bar concerto que nem sequer faz concertos frequentemente. A divulgação do nosso trabalho tem vindo a ser, desde que gravamos os nossos primeiros três temas já este ano, o myspace que foi uma grande ajuda para os concertos que temos agendados. Elvas tem a vantagem de ter Espanha bem perto, é um "sítio" que ainda estamos a explorar a pouco e pouco.

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Então têm dado uns concertos em Espanha? Pelo que percebi, e tenho acompanhado a vossa banda, os vossos fins-de-semana têm sido a dar concertos, é só uma fase?

JC - Por enquanto, só tivemos um em Espanha, no Familyfest em Albuquerque, e já temos outro agendado para o mesmo sítio o Albuquerquerock. Nos fins-de-semana graças a deus temos tido vários concertos, e quando não temos aproveitamos para ensaiar.

Mas os concertos dados têm sempre sido por essa zona, ou já foram a outros pontos do país?

D – Sim, mais por esta zona, mas como o João já referiu já fomos a Espanha tocar e voltaremos lá ainda este ano. Aos poucos temos saído mais para fora, já estão confirmados concertos em Évora, Portalegre, Alcobaça e Porto (no próximo dia 11 na Casa Viva e dia 12 na Fábrica do Som), ainda vai surgir Lisboa e Loulé, mas ainda não temos datas definidas!

Os vossos concertos não se resumem a três temas, suponho…

JC - Não claro que não, actualmente temos cerca de 12 temas originais, nos concertos toca-los todos, ou não, depende do tempo disponível para a actuação.

E - Temos 16 temas originais! (risos)

E covers, fazem alguma para agradar os fãs e chamar público?

E - Fãs? (risos) Disso não temos… (risos)  Neste momento costumamos tocar um “meadlezeco” de Jet, Nirvana, Artic Monkeys e Ramones, mas já tocamos vários como The Hives, Blur, levamos sempre um “coverzito” para agradar a malta. Agora, tivemos então a ideia do meaddle e estamos a pensar fazer uns poucos para tocar no final e não repetir sempre o mesmo.

D - Desde sempre acho que para nós os três a banda principal é Nirvana, ouvimos um pouco de tudo, mas a nível de bandas talvez, Nirvana, Ramones, Arctic Monkeys, The Hives, Fu Manchu, The Cramps, etc, ou seja, temos influencias de bandas anos 80 e 90 e de bandas que são mais recentes o que faz uma mistura de sonoridade muito fixe.

Que tipo de comentários têm recebido sobre o vosso som?

E – Bons! Por acaso não estávamos nada à espera.

D – Sim, realmente bastante positivos.

JC - Normalmente o público tem gostado, tanto a nível do som como da nossa presença em palco.

Vá confessem lá, tornaram-se músicos por causa das miúdas, ou é mesmo gosto pela música? (risos)

JC – Claramente, pelo gosto pela musica…

D - Sim pela música, mas as meninas ajudam muito! (risos)

E - Pela música, mas música e miúdas, vá as duas, não pela música e pelas miúdas, não pela música…

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Até onde acham que podem chegar?

D - Isso é algo que realmente ainda não pensamos. Pensamos no presente, queremos é tocar por todo o lado mostrar o nosso trabalho, chegar mais longe só o tempo o dirá. Mas não é algo que nos preocupa agora.

Para finalizar o que querem dizer aos fãs que vão ganhar, depois desta entrevista?

D - Meus caros, (risos) esperamos que recebam o que queremos transmitir, e garanto que vamos ter sempre a mesma energia e humildade que temos, desde o primeiro dia!

E - Oiçam Jed Dickens. (risos)

JC - Que continuem a acompanhar o nosso trabalho, e esperamos encontra-los pelos concertos que por aí forem aparecendo…

Myspace dos JED Dickens

Blog dos JED Dickens

Entrevista por Paulo Emperor | Director do blog Pedra de Metal | www.pedrademetal.blogspot.com

terça-feira, 1 de setembro de 2009

NA GRAFONOLA DO MARSUPILAMI | The Weatherman

Desta vez a viagem é até Vila Nova de Gaia, cidade natal de Alexandre Monteiro, aliás, The Weatherman, um genial compositor de verdadeiras e mágicas melodias às quais o comum dos mortais resolveu rotular de canções. Prova disso, são os dois álbuns editados por The Weatherman, o primeiro em 2006 de nome “Cruisin’ Alaska”, o segundo já em 2009 de nome “Jamboree Park At The Milky Way”. E foi precisamente este último - diga-se de sua justiça - fabuloso trabalho, que serviu de pretexto para a conversa que se segue…The Weatherman finalPara quem (ainda) não te conhece, quem é The Weatherman?

É um rapaz, Alexandre Monteiro, que escreve umas canções sobre o amor, o cosmos e o sol.

Podes nos contar um pouco da história deste projecto?

Começou em 2005, altura em que enviei uma demo gravada em regime solitário para algumas editoras independentes. Acabei por gravar um álbum para uma editora chamada monocromática, de Lisboa. O disco, “Cruisin’ Alaska”, foi editado em Fevereiro de 2006.

Este é o teu segundo álbum de originais. Que diferenças e/ou semelhanças existem entre ambos? Este teu trabalho é uma continuação do anterior ou é um novo capítulo?

Definitivamente é um novo capítulo. Não gosto de repetir fórmulas de disco para disco, e se no anterior, gravei tudo sozinho, neste apeteceu-me dirigir outros músicos. O disco foi gravado com o intuito de soar a uma banda a tocar num espaço grande, e não houve lugar a electrónica, característica que abundava no disco anterior. Fiz questão em que todos os instrumentos fossem tocados ao vivo.

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Podes desvendar um pouco do que podemos encontrar em "Jamboree Park At The Milky Way"?

É um disco composto unicamente por grandes canções, com alto espírito de celebração. Costumo dizer que é uma espécie de cançoneteiro para ser entoado em qualquer acampamento com vistas privilegiadas para o espaço sideral.

Quais são as tuas expectativas em relação a este trabalho?

Encontrar cada vez mais gente que se identifique com a minha música. Dar grandes concertos. Marcar verdadeiramente as pessoas.

O que esperas que as pessoas tirem deste teu último trabalho em particular?

Espero que tirem sobretudo o sentido de celebração iminente que as canções deste disco transportam consigo.

Como funciona o teu processo de composição, onde vais buscar a inspiração para criares as tuas canções?

Normalmente as músicas saem-me naturalmente, e eu percebo logo quando as coisas têm potencial. Na verdade qualquer coisa me pode inspirar, por mais insignificante que pareça pode dar origem a uma grande canção, e gosto sobretudo de pegar em temas que mais ninguém se lembrou de escrever sobre.

Qual a tua opinião em relação à importância que a net tem tido sobre a música, os downloads, a partilha/pirataria. Achas que poderá trazer mais vantagens, ou mais desvantagens para um projecto como The Weatherman?

É possível que até tenha mais vantagens para mim do que desvantagens. A pirataria faz parte da realidade neste momento para toda a música. As novas gerações estão a crescer com a mentalidade de que toda a música deve ser adquirida sem pagar um tostão e isto não é positivo. Para alguém que tem o culto do objecto, como eu, isto entristece-me um pouco. Mas por outro lado, se não fosse a pirataria haviam muitos discos que eu nunca iria ouvir. Acho que as editoras grandes é que estão em maus lençóis. Eu criei a minha própria editora e vou editar o disco a contar de antemão que os discos vão servir mais como manobra de promoção do que para encher os bolsos. Quer a coisa corra mal ou bem, pelo menos sou livre, não me vou sentir escravo de nenhuma editora, e isso nos dias que correm, é muito importante.

Que achas do actual panorama musical nacional? Tens estado atento?

Confesso que não. Desde há um ano para cá o trabalho tem sido tanto que tenho tido pouco tempo para conhecer novos discos.

E do actual estado geral do nosso país?

Tento não pensar muito nisso. Muitas vezes faço questão em me alienar de algumas coisas.

weathermanpress2E agora, o que se segue? Quais os próximos passos de The Weatherman?

Lançamento do disco a 20 de Abril. Jamboree Park Tour com o maior número de datas possível.

Uma última questão: qual é a tua personagem de banda desenhada preferida?

O Batman. Ainda ontem o confundi com uma freira, na rua.

Curiosidades:

Como surgiu o nome The Weatherman?

Alguém me falou de uma organização que existiu nos anos 60, que tinha como guru o Timothy Leary chamada The Weatherman. E eu, que sempre gostei de nomes que pudessem ter significados diferentes, achei piada e ficou.

Quais são as tuas influências?

Aprendi tudo a ouvir os Beatles e os Beach Boys, depois há muitos nomes que giram em torno desses que vou ouvindo... mas cada vez mais tenho menor necessidade de ouvir música de outros para fazer a minha.

Bandas nacionais que tens ouvido?

Não me recordo. Tenho ouvido algumas coisas sobretudo na rádio...

Myspace de The Weatherman

terça-feira, 25 de agosto de 2009

NA GRAFONOLA DO MARSUPILAMI | Luís Costa e Paula Petreca

Vivemos num mundo cada vez mais pequeno. As fronteiras, pelo menos virtuais, deixaram de existir, e é cada vez mais fácil trocar ideias e pensamentos com alguém que vive simplesmente a milhares de quilómetros. Luís Costa e Paula Petreca são uma das provas disso mesmo. Tinham um mar imenso entre eles, mas não foi por isso que deixaram de unir esforços, e criarem algo no mínimo interessante, o EP “Short Fleeting Moods”, onde ele toca e ela dança. O Marsupilami quis saber como tudo aconteceu, e esteve à conversa com os dois.

luis e paula - ensaioComo surgiu esta parceria entre vocês os dois, quando têm “apenas” um oceano (atlântico) pelo meio?

Paula Petreca (PP) - Eu andava a descobrir o myspace, e na época tinha um interesse especial por fado, e acho que por uma página devotada ao Carlos Paredes encontrei o Luís como um dos artistas relacionados, e a empatia foi imediata. Tempos depois, escrevi a ele pedindo autorização para usar suas canções em performances (no Brasil há sempre de se ter direitos sobre isso, ou então tem de se pagar coimas), e daí ele respondeu que autorizava mas que não imaginava como podiam ser dançados seus temas… Acho que isso deixou-me inquieta e o primeiro vídeo (Innocence’s Demise) foi uma “resposta” a essa questão do Luís.

Uma pergunta para o Luís: alguma vez tinhas imaginado as tuas músicas retratadas da forma que a Paula o fez?

Luís Costa (LC) - Nunca. Como a Paula disse, a minha primeira resposta quando ela me falou em dançar a minha música foi que não me importava nada, mas que não imaginava como tal seria possível. Confesso que não sou grande conhecedor de dança contemporânea, sempre pensei que fosse preciso ritmo para se dançar algo, mas assim que vi as primeiras gravações que ela fez todas as minhas dúvidas se dissiparam. E é engraçado porque é sempre uma surpresa quando vejo as interpretações que a Paula dá às minhas músicas, normalmente é sempre algo que eu nunca imaginaria. No fundo acho que é isso que me fascina, a forma como a nossa percepção de algo muda, consoante os sons e as imagens que lhe associamos.

Paula: é exactamente dessa fora, sensual e misteriosa, que sentes as músicas do Luís? E, foi algo que surgiu de imediato, ou algo que foi crescendo?

PP - Danço exactamente o que ouço, às vezes até me questiono se não estou a fazer apenas uma tradução simultânea, ecoando uma fala ao invés de conversar com ela… Mas isto é também questionamento que vem de minha dança. Sou uma dançarina em crise constante… Não sinto sensualidade nem mistério em verdade, é engraçado porque em princípio achava a música do Luís muito um fado, mas muito grunge, como se essas duas coisas pudessem ter se miscigenado. Claro que depois de um tempo, fui criando maior familiaridade, algumas apreciações foram tornando-se mais recorrentes, e a percepção de certas sintonias foi afinando o diálogo… Mas isto vai sempre se transformando, porque acho que tanto eu quanto o Luís temos grandes buscas a respeito de nossos afazeres, de modo que há sempre lugares por chegar…

Este é o teu quarto trabalho, e talvez o mais ”sério”. Concordas com esta afirmação Luís? Encaraste-o dessa forma?

LC - Não, de todo. Mais uma vez foi um fruto do acaso, da colaboração inesperada com a Paula, e a única premissa desde o início foi manter as coisas simples. A minha última demo foi bastante mais pensada e trabalhada, até porque implicou a colaboração com outros músicos, e a intenção à partida para este trabalho foi mesmo simplificar o processo e tentar conseguir o melhor resultado possível com o mínimo de meios possível. É claro que rapidamente vim a descobrir que é bem mais complicado fazer algo simples do que o inverso! (risos)

Luis e Paula - live

Sei que apresentaram este trabalho ao vivo, os dois. Qual foi a reacção do público que esteve por lá? É algo que poderá voltar a acontecer?

PP – Olha, foi muito fixe partilhar a cena com o Luís, e observar como ressoa entre o público de música a ideia de alguém dançar ali e isso ser também concerto… Eu queria experimentar isso muito mais, mas tenho maior dificuldade de fazer isso em um ambiente de dança, porque a ideia da dança contemporânea já propôs tantas formas de co-existir com a música que nada mais parece ser original… Mas o facto é que a inquietação de dançar num concerto tem também um viés muito prático: eu sou daquelas que fica sempre ao pé do palco, “saracutiando”, tapando a vista de algumas pessoas, o que às vezes isso é um tanto “pentelho” para quem vai ali para outra apreciação, então se eu vou para o palco, já não estou a tapar a vista de ninguém, a pessoa pode escolher ficar só com a performance do Luís se quiser. (risos)

LC - Para mim foi bastante estranho, porque venho de um background de concertos “tradicionais” e esta apresentação foi no contexto do espaço experimental do C.E.M. (Centro Em Movimento), o ambiente era completamente diferente de um concerto. Mas foi muito bom, acho que a pequena dimensão e a acústica da sala conferiu uma intimidade muito maior às músicas e à apresentação como um todo, e a reacção pelo menos das pessoas com quem falei foi muito boa. É definitivamente uma experiência que queremos repetir, mas ainda estamos a tentar trabalhar melhor a ideia, quer a nível da parte visual, quer a nível da parte musical com a adição de loops.

Em relação ao EP “Short Fleeting Moods” propriamente dito, como tem sido o feedback, quer em Portugal, quer no Brasil? Têm divulgado por lá também?

LC - Tem sido bom, principalmente tendo em conta a pouquíssima promoção que eu faço! (risos) No dia a seguir a ter posto o EP online, fui contactado por uma loja online do Japão com o intuito de o vender por lá, que foi das coisas mais surreais que me aconteceu a nível musical. A nível de downloads da última vez que me informei já andava perto dos 500, o que é muito bom tendo em conta que não faço promoção ao vivo do disco.

PP - Eu até agora estou estupefacta com a ideia de que isso está a venda no Japão… E também muitos colegas meus que nos viram actuar juntos, acabaram por se interessar pela música do Luís, de modo que distribuí uns álbuns… Para o Brasil propriamente dito, só enviei algumas cópias à minha irmã (que é uma grande produtora e divulgadora), mas tenho uns amigos que tem por lá labels, aos quais ainda não tive tempo nem organização para enviar nada, de modo que é capaz de ficar para fazer essa distribuição só mesmo quando eu voltar.

Há uma pergunta incontornável a fazer à Paula: quais são as maiores diferenças e semelhanças, musicalmente falando, entre Portugal e Brasil?

PP - Eu sempre penso muito nisso… Acho que as semelhanças e diferenças são muito relacionadas e andei pensando se isso não tem a ver um bocado com o modo como a cultura (local daqui e de lá) foi exposta à cultura estadunidense… Porque eu ouço o Luís, o Azevedo Silva, os Dead Combo, o Nuno Rancho, o Noiserv; e ouço isso se calhar porque tive um dia ouvidos de Nirvana, Jeff Buckley, Ennio Morricone, Carlos Paredes… E assim também é como eu aprecio meus compatriotas Hurtmold, Polara, Los Hermanos, Totonho e os Cabra, Cidadão Instigado (etc. …), vai ver porque me chegam aos ouvidos, que um dia já ouviram Black Sabbath, Smashing Pumpkins, Strokes, Roberto Carlos, Noel Rosa, música de umbanda…. Não sei se consigo ser directa sobre isso, porque não é algo simples como causa e consequência, mas é como se as informações a que eu fui exposta direccionassem-me para um hábito de apreciação que possibilita-me navegar através de géneros com alguma coerência estilística, que é muito pessoal… Mas pá, em termos de cena… Bom eu era de São Paulo, que é uma cidade muito grande, então a dinamicidade é maior, e eu via as bandas e músicos se articulando uns com os outros para viajarem o país, irem tocar noutros lados, trazerem também os camaradas de longe para tocar para nós, isso é algo muito fixe que vejo acontecer por lá, essa circulação, que aqui ainda não vi muito…

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Qual a vossa opinião em relação ao panorama musical nacional?

LC - Penso que já me tinhas feito essa pergunta numa entrevista anterior, e a minha resposta continua a ser a mesma: é a melhor fase que me lembro de viver na música nacional, pelo menos a nível criativo. Estou constantemente a descobrir novos projectos com uma qualidade incrível, e felizmente a geração mais nova parece andar mais atenta ao que se vai passando na música nacional. Para além disso, é bom ver que alguns projectos que começaram pelo underground têm conseguido extravasar para um público maior e mais mainstream, como o caso dos Deolinda e dos Peixe: Avião, por exemplo.

PP - Eu me surpreendi muito com a diversidade de propostas, e também com a fertilidade criativa dos artistas, mas também eu não tinha informação actualizada sobre a música portuguesa, sabia de cá dos fadistas e desta tradição, e acho que nada para além disso. No entanto, acho pena que essa inovatividade da cena independente reverbere pouco para a música de massa, posso estar enganada, mas o que se vende nos destaques nacionais da Fnac, ou outras lojas do género, retrata um amálgama mais homogéneo e previsível do que há por aí… Mas isso acontece também em meu país, e se calhar no mundo todo.

Que projectos nacionais têm ouvido?

LC - Tenho ouvido muito o Noiserv, que lançou para mim um dos melhores álbuns de 2008, continuo a ouvir bastante o álbum dos Deolinda, o Nuno Rancho, os Pontos Negros… para além disso, durante o dia vou “saltitando” muitas vezes de myspace em myspace e acabo por descobrir coisas novas muito boas; a minha mais recente descoberta foi o Nuno Mar, que tem músicas ambientais lindíssimas.

PP - Já mencionei o Azevedo Silva, os Dead Combo, o Nuno Rancho, o Noiserv… Uma amiga deu-me um mp3 carregado de cantores populares como o Zeca Afonso e o Rodrigo Leão, e tenho gostado de algumas coisas… Estive também em alguns concertos que gostei muito como o da Lula Pena com o Norberto Lobo, e os Farrafanfarra. Confesso estar muito curiosa sobre a música pimba, porque às vezes apetece-me divertir um bocado com músicas mais chulas.

Há uns tempos, por alturas de “…So Said The Mute”, perguntei-te para quando um álbum. Já mudaste de opinião?

LC - Já mudei, e já voltei a mudar de novo para a opinião inicial! O meu projecto a solo de momento está em standby (à excepção das experiências com a Paula para uma nova apresentação ao vivo), porque formei uma nova banda com o Afonso Cabral e Salvador Menezes dos V.Economics, e portanto os meus esforços de composição estão concentrados exclusivamente nesse projecto.

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E agora, que podemos esperar num futuro próximo de vocês os dois?

PP - Mais vídeos de certeza, e pelo menos um concerto antes de eu ir embora… (risos)

LC - O que a Paula disse… e da minha parte, espero lançar uma demo/EP com a nova banda ainda este ano, e começar a apresentar o projecto ao vivo.

O Hiro Nakamura ainda se mantém como a tua personagem favorita de banda desenhada, Luís? E a tua Paula, qual é?

LC – Sem dúvida, até porque nesta nova temporada do Heroes ele é a única coisa que se aproveita no meio daquela salganhada toda! (risos)

PP - Eu sempre gostei muito da Turma da Mónica, e tive vários favoritos daqueles personagens ao longo da vida… Estou numa fase muito Chico Bento actualmente, meu favorito… (risos)

Myspace de Luís Costa

Myspace de Paula Petreca

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

NA GRAFONOLA DO MARSUPILAMI | doismileoito

No regresso às conversas, o marsupilami falou com uma das grandes promessas do rock nacional. Eles são um trio da Maia, chamam-se doismileoito e editaram em 2009 o homónimo álbum de estreia da banda. Foi precisamente essa, a principal desculpa para a conversa sincera que podem ler já de seguida.

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Antes de mais, quem são os doismileoito?

Os doismileoito são três rapazes da Maia, no Porto: o Pedro, o André e o Nicolau.

Agora um pouco da história dos doismileoito, ou seja, como e quando é que tudo começou?

O Pedro e o André já se conheciam da escola secundária. Conheceram o Nicolau numa jam session duma escola de música da Maia. O Pedro, que tinha umas ideias gravadas em casa, telefonou ao Nicolau e foram ter com o André à cave dele, onde ainda hoje ensaiam. Isto foi em 2005.

Vocês tiveram uma ascensão “meteórica”, assinando mesmo por uma major, a EMI. Como é que tudo isto aconteceu?

Não sei o que temos nós de meteoro, mas chegámos à EMI através do TMN Garage Sessions, que vencemos. Um dos prémios era editar um disco pela EMI. Na editora gostaram de nós e quiseram ficar connosco mais tempo.

Uma curiosidade minha: mudou alguma coisa nos doismileoito, desde que entraram para a EMI?

Na nossa música só mexemos nós, continuamos a fazer as nossas capas e cartazes e a escolher o que vestimos. A EMI promove, divulga, arranja-nos entrevistas, exposição, parcerias, etc. É verdade que também têm o nosso bebé nas mãos, mas estamos a aprender a deixar isso acontecer: a deixar outras pessoas trabalharem pela nossa música. Aconteceu com o vídeo da 'Bem Melhor 12200074'. Custou e houve discussões, mas no fim ficámos contentes com o resultado. Entendemos estar numa major como uma oportunidade e vamos agarrá-la.

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Acabaram de colocar o vosso tão aguardado álbum de estreia cá fora, já fizeram a apresentação do mesmo em Lisboa e no Porto. Como têm corrido as coisas? O feedback como tem sido?

Estamos muito contentes porque o Musicbox estava bem composto e o Plano B esgotou. Ficou gente cá fora e tudo! Agora que temos o álbum sentimos que temos algo a defender. Antes do álbum as pessoas dificilmente nos conheciam e não podiam levar a música para casa. Agora já podem conhecer e ouvir o álbum. Além disso, temos recebido muitos comentários positivos pela internet, o que nos dá sempre muito alento.

Sobre o vosso álbum, era assim que imaginavam o vosso registo de estreia? Se alguma vez tinham pensado nisso…

Nunca imaginamos como seria. Foi crescendo e apareceu. Se tivesse sido gravado uns meses antes ou depois seria com certeza diferente. Não é premeditado… mesmo se for um bocadinho, nunca é muito controlável.

O que esperam que as pessoas tirem do vosso som, das vossas músicas?

Primeiro, que gostem das canções e que elas ganhem significado na vida delas. Que as usem como quiserem. O Tom Waits diz que as canções são canivetes suíços. Cada um encontra as funções ou significados que entende nelas. O importante é as coisas terem significado.

Onde se inspiram os doismileoito?

No dia-a-dia. Nos amigos, nos pais, nas namoradas. Mais do que em música. Mas claro que a música de que gostamos dá vontade fazer mais música. Esperamos ter esse efeito em outras bandas, também.

Sobre a língua em que cantam, o português, foi sempre a primeira escolha? E, acham que vos poderá trazer alguma vantagem, pelo menos no nosso país?

Apesar de cantar em português desde o início, na verdade temos uma música em inglês dos primórdios da banda, mas rapidamente nos apercebemos que o português era o que fazia sentido. Somos portugueses e tocamos em Portugal. As letras conseguem ir mais fundo sem as ideias serem filtradas por outra língua, e chega-se mais rápido às pessoas. Percebem-se imediatamente as palavras e a voz não é só mais um instrumento. Acreditamos que conseguimos furar melhor se cantarmos em português, apesar de isto não ser algo premeditado.

carate_650Qual é a vossa opinião em relação à importância que a internet tem tido sobre a música? Acham que trará mais vantagens ou mais desvantagens para uma banda como os doismileoito?

Nós temos: site oficial, blogue, myspace, canal de youtube, facebook, twitter, lastfm… achamos que isto responde à pergunta!

Qual é a vossa opinião em relação ao actual panorama musical nacional?

Estão a aparecer bandas novas que têm muito para dar, muito por onde crescer. Há mais coisas diferentes umas das outras e mais pessoas a cantar em português. Nós próprios ouvimos muita mais música portuguesa do que há quatro anos atrás.

E em relação ao actual estado geral da nação?

Em Portugal vai-se sempre andando…

E agora, o que se segue? Por onde passa o futuro dos doismileoito?

A curto prazo, passa por dar muitos concertos. Chegar a muita gente e ganhar experiência em palco. Melhorar o concerto, tanto para nós como para o público. E já temos alguns esboços de músicas para o segundo álbum.

arvore_1000

Curiosidades:

Como surgiu o nome doismileoito?

Apareceu e habituamo-nos a ele. Pode ter o significado que cada um quiser, ou nenhum em particular. Não tem nada a ver com o ano nem - porque apareceu em 2005 - com uma ideia de futuro. Não queríamos especialmente que o álbum saísse em 2008. O ano passado mudámos a forma de escrever o nome. Aparecia em números e agora aparece por extenso, sem espaços. Os números davam muita confusão nos cartazes e flyers.

Quais são as vossas influências?

No outro dia, depois de um concerto, um senhor disse que fazíamos lembrar um pouco de tudo e, ao mesmo tempo, nada em particular. É assim que queremos continuar. Individualmente e entre os três gostamos de coisas muito diferentes. Temos passados musicais bem diferentes mas caminhamos na mesma direcção.

Que bandas nacionais têm ouvido?

Tiago na Toca, peixe:avião, João e a Sombra, Foge Foge Bandido e Oioai.

Qual a vossa personagem de banda desenhada preferida?

Preferimos não responder a esta pergunta.

Myspace dos doismileoito

Sítio dos doismiloito

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ENTREVISTA | Carlos Matos - Rockspot

Amanhã começa mais uma edição - a sexta - do Festival Rockspot, que como sempre, acontece na Bajouca, concelho de Leiria. Serão dois dias de muito rock, com grandes nomes da actual cena musical nacional. De salientar e valorizar que metade da receita feita na bilheteira, será revertida automaticamente para a APPC – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. Por tudo isto, o Rockspot tem o apoio incondicional da HEADZUM e d’ O MARSUPILAMI. Para ficarmos a saber um pouco mais do que vai acontecer amanhã e sábado, dia 26 e 27 de Junho respectivamente, a HEADZUM falou com Carlos Matos, Director de Comunicação do Rockspot 2009.

Antes de mais, como e quando surgiu a ideia de criar o Rockspot?

O Rockspot surgiu em 2004 movido pela vontade de um grupo de pessoas que quis colocar a Bajouca na rota do rock conferindo-lhe, ao mesmo tempo, uma vertente solidária

Quem está por detrás deste projecto?

O Rockspot é um projecto do GAU – Grupo Alegre e Unido da Bajouca, organizado e gerido por um conjunto de voluntários não remunerados pertencentes a esta associação e por outras pessoas que, não pertencendo propriamente ao GAU, vestem a camisola do grupo como se a ele tivessem sempre pertencido!

Para quem ainda não conhece, em que se baseia o Rockspot? Como defines e qual o objectivo do festival?

O Rockspot é, antes de mais, um grande evento de solidariedade, pois todos os anos faz reverter parte das suas receitas a favor da delegação de Leiria da APPC – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. Este ano, pela primeira vez, vamos ter um bilhete diário com o valor simbólico de 2 (dois!!!) euros (1 euro reverte automaticamente para a APPC). Nos anos anteriores não havia cobrança de bilhetes e a receita fazia-se através do “comes-e-bebes”… Portanto a solidariedade social é a sua grande marca e, consequentemente, o seu maior objectivo.

Esta é já a 6ª edição do Rockspot. Têm sentido dificuldades em levar este projecto avante? Com que tipo de apoios têm contado?

As dificuldades com que nos deparamos são as dificuldades inerentes a qualquer evento desta natureza. A equipa que o organiza começa a planificar e a trabalhar com 8 meses de antecedência e é tudo minuciosamente estudado, ponderado, e decidido em reuniões semanais. Os apoios que temos são sobretudo dos agentes sócio-económicos locais que têm compreendido o nosso projecto e o têm apoiado mediante as possibilidades de cada um. Já os apoios institucionais, apesar da bandeira que hasteamos, são praticamente residuais se tivermos em conta o peso e o encargo de uma produção desta envergadura.

Como tem sido a adesão do público nas edições anteriores? E, quantas pessoas esperam este ano?

A adesão tem sido cada vez maior. Esse crescendo é proporcional à qualidade do cartaz de ano para ano. Este ano esperamos entre cinco a seis mil visitantes por dia!

Para quem ainda não sabe quem vai tocar e o que vai acontecer no Rockspot?

No primeiro dia, sexta 26 de Junho, actuam os Shake Shake And Show Me Your Pussy, os The Dixie Boys, os Green Machine e os luso-britânicos Tiguana Bibles. No sábado, dia 27, será a vez dos The TiMaria, dos Sizo, dos If Lucy Fell e de Slimmy. Durante o evento há uma série de actividades lúdicas com particular destaque para o “comes-e-bebes” recheado de iguarias tradicionais, como o porco no espeto ou o borrego à bajoquense (só para deixar água na boca…)

Têm apostado essencialmente em bandas portuguesas. Essa aposta, é para continuar?

No ano passado demos um passo rumo à internacionalização, mas não vivemos obcecados com isso. Portugal tem excelentes bandas e só contrataremos uma banda estrangeira se a oferta for apelativa do ponto de vista financeiro e se se justificar estética e qualitativamente. Infelizmente e paradoxalmente, há muitas bandas portuguesas muitíssimo mais caras que algumas bandas estrangeira de nome! Essas bandas têm que pensar que Portugal não é só câmaras municipais e semanas académicas…

Qual é a vossa opinião em relação ao actual panorama musical nacional?

Vivemos, de há uns anos a esta parte, um claro fervilhar criativo a nível nacional. O difícil mesmo é fazer uma triagem. Normalmente optamos pelas bandas que nos dão garantias de qualidade e na sua eventual potencialidade de mobilização de melómanos! Afinal, não nos podemos esquecer de que queremos público! Felizmente que esta zona do país está cheia de malta atenta ao movimento musical, o que nos permite apostar em nomes supostamente menos óbvios. Mas esse é também a outra imagem de marca do Rockspot e, ao mesmo tempo, um verdadeiro desafio para os seus consultores programáticos…

Uma mensagem para quem está a pensar ir até à Bajouca e assistir ao Rockspot?

Pensem só numa coisa: Pagam 2 euros, divertem-se, dançam, ouvem boa música (tudo com palco, som e luz altamente profissionais) e ainda ajudam quem tanto precisa! Não é por acaso que a nossa bandeira ostenta este mote: “Vamos ajudar as crianças especiais com notas musicais!”

Para o ano, vamos continuar a ter o RockSpot?

Só uma hecatombe na edição deste ano ditaria um final abrupto e precipitado do Rockspot. Confesso que esse é um cenário que não nos passa pela cabeça! Para o ano cá estaremos de novo!

www.rockspot.pt

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Na Grafonola do Marsupilami | Uni.Form

Para além do principal, a música, há outra coisa que dou especial importância numa banda: a atitude. Uma banda pode ter um grande som, mas se lhe faltar atitude, é como um corpo sem alma. E atenção, não falo da imagem, tão importante hoje em dia, falo na atitude mesmo, na atitude que se tem perante as coisas que nos rodeiam, na atitude em fazer apaixonadamente aquilo que se gosta de fazer, independentemente se as pessoas vão gostar ou não. Neste caso concreto, eles já deram provas de que têm tudo isso, têm um grande som e a atitude certa. E, por isso mesmo, estive à conversa com o Nuno, perdão xboy, baterista dos Lisboetas Uni-Form.

Uni_form Antes de mais, quem são os Uni.Form?

Somos quatro, da zona de Lisboa, David (umbigu) no baixo, eu, Nuno (xboy), na bateria, Pedro (thecode) na guitarra e sintetizadores e Billy (voxmachina) na guitarra e voz.

Podes nos contar como esta aventura começou, e qual era o objectivo na altura?

Começámos em 2006, eu e o meu irmão David, estávamos na altura a esboçar um projecto e procurávamos um vocalista/guitarrista para completar o mesmo. Através de jornais, emails e alguns websites conseguimos contactar o Billy e logo quase de imediato houve o “click” e as coisas começaram logo de inicio a funcionar muito bem. Mais tarde começámos a precisar de mais um elemento para a guitarra e sintetizadores/teclados, começava-se a tornar “pesado” para nós ter de lidar com isso tudo, principalmente em palco; como tal surge um amigo nosso, Pedro que muito bem complementa os Uni.Form na guitarra, teclados e sintetizadores.

O objectivo era, e continua a ser, a diversão; criar bons momentos e, pelo menos, tentar criar arte, se bem que isso seja muito difícil de alcançar, mas é um objectivo importante que temos sempre presente. Com isto os nosso ensaios e concertos tornam-se em momentos de explosões de adrenalina, paz e por vezes momentos de fúria também.

Lançaram o vosso EP de estreia este ano, como tem sido a reacção das pessoas?

Lançámos o nosso EP em formato edição de autor a 07.07.08, com a opção de download gratuito no site oficial da banda uniformproject.com. A edição física saiu um pouco mais tarde, pois foi feita por nós integralmente; com a ajuda de uma amiga designer gráfica MIA (Maria), que trabalha a nossa imagem, a todos os níveis, desde o logótipo até aos fatos que usamos em concerto, e mesmo com a preciosa ajuda dela as coisas atrasaram, e pedimos desculpa a todos os pedidos que ainda não foram satisfeitos por algum motivo.

As pessoas têm uma reacção muito engraçada em relação ao EP. Até agora temos tido reacções muito positivas por parte das pessoas que já o ouviram, e tem sido bom, porque cada pessoa chama-lhe um estilo diferente e gosta por diferentes razões, pelas suas razões, e isto para nós é talvez o melhor elogio, pois normalmente existem rótulos que facilmente se aplicam e isso não tem acontecido, penso que seja significado de que pelo menos estamos a tentar criar algo novo sem nome, ou pelo menos difícil de classificar, e pelos vistos parece que estamos no bom caminho. Claro que as influências estão sempre inevitavelmente presentes, mas tentamos estar atentos a isso.

Também de salientar a boa reacção que temos tido da parte dos diferentes média, tanto na rádio como na televisão e na web, surpreendentemente temos tido reacções boas de todo lado; admito que não estávamos à espera de tanto, mas temos conhecido pessoas nestes meios que realmente estão interessados em novos projectos portugueses, e isso também tem sido muito bom.

Que querem transmitir com a vossa música, o vosso som?

Definir um sentimento como o de criar música, é sempre muito complicado, mas talvez o que tentamos transmitir, será um misto de amor/ódio ou amargo/açucarado. No início, as músicas podem ser explosões massivas ou massagens relaxantes, e depois facilmente se podem transformar no seu inverso. Muita da essência da banda está nos extremos, nos opostos que se atraem. No fundo tentamos transmitir algo que nós próprios andamos à procura brincando com os extremos, ou seja, a música acaba por ser um reflexo de nós enquanto indivíduos, e claro está que o mundo não é somente preto e branco; num único indivíduo podem existir sentimentos completamente opostos e se multiplicarmos por quatro então a criação torna-se algo muito interessante e bastante diversificada. No fundo tentamos ser abertos ao que vem de dentro de nós, e acabamos por transmiti-los para os outros.

E onde se inspiram os Uni.Form?

Na vida sobretudo, na existência, nos sonhos, nos pesadelos, basicamente em tudo o que nos rodeia; não escolhemos o que nos vai inspirar, simplesmente algo nos toca e acabamos por transformar esse sentimento em música. Tudo desde a literatura, cinema, teatro, tv, especialmente a de má qualidade, as pessoas que passeiam pela rua, o Sr. que vende o “borda d’água” (sim é mesmo verdade), a hora de ponta, tudo nos inspira.

Uni_formEncontram-se agora na fase de divulgação. Estão a sentir dificuldades nesse campo?

Alguma dificuldade sim, em Portugal nada é fácil de concretizar (mas também não é impossível), nem mesmo dar uma simples resposta como um não ou um sim. Mas por um lado é bom, faz-nos trabalhar mais para chegar a mais pessoas. A internet foi um passo de gigante, mas temos muitas vezes de estar no lugar certo à hora certa, fazer o tal “click” nesta ou naquela pessoa, e é claro que ainda nos falta um longo caminho, mas algumas portas já se começam a abrir, outras fecham-se, mas o que nos derruba, faz-nos também levantar e seguir em frente com ainda mais força e vontade. Mas é como disse anteriormente, tenho de salientar que temos conhecido pessoas excelentes pelo caminho.

A net tem cada vez mais um papel preponderante ao nível da divulgação, talvez até excessiva. Qual é a vossa opinião em relação à net vs música?

“Internet killed the video star..” (?) A net e música, a música e a net. Já não se consegue separar uma coisa da outra, não é? O que seria inevitável, pois é um instrumento imprescindível na divulgação hoje em dia, e não só. Não penso que se torne excessivo, porque cada um de nós pode escolher, exactamente aquilo que quer ver, ouvir; se calhar a dificuldade reside em se decidir o que se quer ouvir. Também nos permite fazer algo que não era possível antes, pelo menos à mesma dimensão; como por exemplo disponibilizar o nosso EP para download gratuitamente através do nosso site e assim conseguir que muitas pessoas tenham acesso a ele para poderem ouvir e talvez se gostarem apareçam nos concertos e talvez até queiram comprar a edição física.

Portanto 100% a favor de todo o movimento de divulgação que anda a acontecer, principalmente em Portugal, através da internet. Temos descoberto grandes bandas assim.

Em relação a espaços e iniciativas para uma banda como os Uni.Form se apresentar ao vivo, acham que existem, quer em quantidade quer em qualidade no nosso país?

Embora em Portugal se viva a “vida do coitadinho” : “não temos isto, não temos aquilo”, isso não é verdade... Os espaços existem, alguns muito bons, outros maus, mas é como tudo, talvez possam ter uma melhor exploração, mas existem... Se calhar a atitude de quem está à frente deles não é a melhor, mas resta-nos lutar para conseguir chegar lá.

As iniciativas têm vindo a aumentar cada vez mais, quase parece que estamos a voltar ao tempo em que havia concertos quase todos os dias, mas há espaço para muito mais. Mais do que espaços ou iniciativas, temos é de começar a sair de casa, ir ver concertos, deixar a televisão um pouco e ver o que se passa realmente.

Qual a vossa opinião em relação ao panorama musical português?

Bom, pelo menos no que diz respeito a bandas novas e a surgir, temos tido muitas surpresas agradáveis nos últimos tempos, muito graças à internet. Atrevo-me a dizer que temos talvez milhares de bandas recentes em Portugal (?), posso estar a exagerar um pouco, mas o facto é que o futuro (pelo menos neste momento) parece muito mais atraente e com muita mais variedade musical portuguesa. É bom, e penso que as pessoas, principalmente a camada jovem, começa a ver essa realidade, começa a ver que se calhar até temos boa música feita em Portugal para além dos três ou quatro nomes que dominam a praça.

Mas, no entanto, a mudança requer que as corporações também se adaptem, as editoras, as promotoras, etc. Fala-se agora muitos nos anos 80, mas não nos podemos esquecer que toda essa explosão cultural mais tarde se desvaneceu e deu lugar aos tais três/quatro nomes dominantes da praça actualmente. Portanto vamos aproveitar o momento, vamos viver esta nova explosão enquanto dura.

E, em relação ao estado geral do país?

Eu penso que o estado geral do país não é muito negativo, é certo que tem havido cada vez mais dificuldades, mais inflação, mais pessoas a dever dinheiro, também é certo que o poder governamental não é muito bom, a corrupção continua a crescer e as pessoas de boca fechada perante todo este tipo de situações. No entanto, ao mesmo tempo é um país pelo qual vale a pena lutar contra o que está mal, vale a pena falar sobre o que está mal. Penso que deveria haver mais pessoas a falar e a discutir sobre o estado do país, porque é a falar e a discutir que nascem ideias e novos ideais.

Toda a gente tem um bocado a mania de dizer que lá fora é que é bom, mas o facto é que temos um país bonito. Claro que qualquer um de nós pode ganhar mais dinheiro em Inglaterra, por exemplo, mas também se fica mais velho mais depressa por lá, será que queremos mesmo viver para ganhar dinheiro só?

Uni_form E agora, quais os próximos passos dos Uni-Form?

Tocar, tocar... tocar, tocar... é o que nos dá mais prazer, também divulgar o nome e a nossa música o mais possível, ir lá fora... Pois, lá fora as coisas parecem diferentes, parecem mais possíveis e claro, teremos certamente mais pessoas para “atingir”, e claro que também queremos viajar, conhecer.

Depois, um álbum claro, pegar nas músicas que temos feito recentemente que já começam a exceder um álbum, e apresentar um álbum de Uni.Form.

Última pergunta: qual é a vossa personagem preferida de banda desenhada?

Talvez o Batman.

Curiosidades:

Como surgiu o nome Uni-Form?

O nome surge ao falar em forma, única, união, força interior; chegámos então naturalmente ao “uni.form”.

Um concerto (vosso), que de alguma forma vos tenha marcado?

Termómetro 2008, um local muito bonito, ”Tertúlia Castalense” na Maia, mas um dia para esquecer, nós não gostamos particularmente de concursos, mas infelizmente o David tinha-nos inscrito e acabámos por ir, até porque já estávamos no Porto na noite anterior para outro concerto.

Chegámos para tocar e surpresa.: ”têm de tocar 3 músicas e uma versão”. Pensámos em tocar a versão dos The Cure, “Plainsong”, mas estávamos a ser tão mal tratados que decidimos tocar quatro músicas nossas, sendo que a última música foi apresentada como uma versão dos “Caroliner” (not), sendo na realidade outra música nossa, mas ninguém percebeu. Marcou-nos este concerto porque ao mesmo tempo que não nos estávamos a sentir muito bem ali, não conseguíamos parar de rir também quando nos entrevistavam e perguntavam algo do tipo: “Então e porquê uma cover dos Carloliner?”

Influências?

Clan of Xymox, The Cure, Depeche Mode, Cabaret Voltaire, The Residentes, Tool, A Perfect Circle, Nine Inch Nails, Pink Floyd, Throbbing Gristle... Tantas mais e tão variadas.

Bandas nacionais que têm ouvido?

O que anda neste momento a passar por aqui é: You Should Go Ahead, Million Dollar Lips, Slimmy, Peixe:Avião, Dapunksportiv, Blasted Mechanism, Rejects United, Ornatos Violeta, Kubik, Mão Morta, X-Wife, Deadboy, etc...

Fotos por Rita Carmo

Myspace dos Uni.Form

Sítio dos Uni.Form

(Esta entrevista é da autoria do Marsupilami para a edição nº3 da webzine HEADZUM.ORG)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Na Grafonola do Marsupilami | TrYangle

Através de um amigo, cheguei até uma banda que de alguma forma me fez sorrir, mais uma vez. Ouve-se muita coisa, mas poucas são as bandas que nos fazem esboçar um sorriso de contentamento, de alegria, por ter ali, algo que nos faz recordar o porquê de se continuar a ouvir música e de continuar a procurar sempre, coisas novas. Essa banda chama-se TrYangle e disponibilizaram recentemente, no respectivo Myspace, três das seis músicas que compõem o EP de estreia da banda [podem ler a critica, ao referido EP, na secção criticas da HEADZUM.ORG] a lançar - ou mostrar, como preferirem - brevemente. Fiquei curioso, quis saber mais sobre estes três rapazes e fiz uma viagem (virtual) até à Povoa de Varzim.

1 Quem são os Tryangle?

Nuno: O bom, o mau e o vilão.

Ricardo: 3 amigos que gostam muito de música.

Gonçalo: O vilão, o mau e o bom; O vilão, o bom e o mau; O mau, o bom e o bom também; Os amigos que gostam de música. É só escolher.

Quando e como surgiu a necessidade, se lhe poderei chamar assim, de criar este projecto?

Nuno: Creio ter sido um conjunto de factores. Esta formação já vem de outra formação e essa outra vem de uma outra e por aí fora. No entanto, já passada a primeira fase da rebeldia em que éramos contra tudo e contra todos, ouvíamos música rebelde de uma forma rebelde, vestíamo-nos de forma rebelde, enfim, a intenção era a afirmação. Isso mudou em nós, tanto como pessoas, como na banda. Os TrYangle surgiram numa fase de transição para um caminho mais maduro em que a música já nos estava entranhada, já não era rebeldia, era algo mais. Desde então que a vontade de tocar se instalou, é o que temos feito ao longo destes últimos anos e é bastante divertido e libertador.

Pelo que sei, estão prestes a lançar o vosso primeiro trabalho. Podem falar um pouco do que aí vem?

Ricardo: É um E.P. composto por 6 temas que variam muito entre si.

Nuno: Na verdade, não deu lá muito trabalho, mas que obtivemos um bom produto final, lá isso obtivemos. Este trabalho faz parte da vontade de seguir em frente, de querer algo mais. Este espírito musical já acompanha o grupo há cerca de 8 anos e, naturalmente, chegou a hora de apostar em algo mais conciso. Este trabalho, como lhe chamas, é uma aposta nas músicas que achamos, entre todos, serem as melhores para ficarem juntas nesta gravação, e quem sabe, serem um grande trunfo para o futuro.

Gonçalo: Só queria corrigir uma coisa: lançar? Gostaríamos muito de o fazer, mas nada garante que conseguiremos lançar estas seis músicas. Garantimos, isso sim, que vamos tentar mostrar esta gravação ao maior número de pessoas certas.

Existe alguma ideia ou mensagem que querem transmitir com este trabalho?

Nuno: Como um todo, a única ideia que queremos transmitir é a de que nos divertimos muito a tocar, tanto entre nós, como com outras bandas. Quanto às lyrics, talk to the main man.

Gonçalo: Não existe nenhuma mensagem subliminar que ligue as letras entre si. Essencialmente, falam sobre sentimentos e são pessoais, logo, muito pouco unificadoras. Conclusão fácil: nenhuma delas fala sobre Guantanamo.

3 Onde se inspiram os Tryangle?

Ricardo: Em tudo.

Gonçalo: Nas fontes…

Nuno: Os TrYangle são um Uno vindo de três pessoas diferentes, é importante ter isso em conta. Apesar de termos gostos musicais parecidos, somos pessoas muito diferentes em todos os aspectos. A mim o que me inspira é a música, é o silêncio, as outras pessoas, o vinho, a cerveja e os tremoços, o mar, as coisas más, as coisas boas, a família, a namorada, os amigos, por aí fora.

Podem nos dar uma ideia de como funciona o vosso processo criativo? Há uma fórmula, ou as músicas surgem de forma natural?

Ricardo: Não existe propriamente uma fórmula… Existe sempre uma ideia, que surge de qualquer um dos 3. E, a partir daí, tentamos esculpir a mesma até atingirmos um resultado final.

Nuno: Por acaso, até há uma fórmula: 2 copos de farinha, um baixo, 1 copo de açúcar, uma guitarra, 1 garrafa de maduro tinto, uma bateria, uma pitada de sal e a voz. No fim, mistura-se tudo - pode ser à mão que é para ser um trabalho mais personalizado - e voilá: temos os TrYangle a fazer músicas (é de ter em conta que a cozinha tem que ser pequena para que os ingredientes possam fundir-se muito bem).

A seguir ao lançamento, vem a promoção do vosso trabalho, talvez a parte mais complicada. Já pensaram nos meios e formas de como a querem fazer? E, concordam que é uma etapa complicada?

Ricardo: Pergunta difícil…

Nuno: Na verdade, ainda não estamos muito preocupados com isso. Numa primeira fase, o mais importante é arranjar uma maneira da nossa música chegar às pessoas e isso é aquilo que nós podemos fazer: divulgar. Mais para a frente, o ideal seria arranjar uma promotora e uma editora para nos podermos lançar à estrada e entrar num ritmo mais elevado. Na realidade, estamos cansados de jogar na liga de honra e queremos passar para a 1ª divisão.

Gonçalo: Ou seja, de água para cerveja.

Qual a vossa opinião em relação à importância que a net tem tido sobre a música e toda a “confusão” inerente a isso? Acham que poderá trazer mais vantagens ou mais desvantagens para uma banda como os Tryangle?

Nuno: Os tempos mudaram e as mentalidades têm de se adaptar às novas realidades. É verdade que a indústria discográfica sofreu um grande impacto com o aparecimento do download, mas também é verdade que, para a grande maioria das bandas, não foi isso que lhes deixou as carteiras mais leves. A grande maioria das bandas não ganha dinheiro a vender álbuns, mas sim na estrada. Nos dias de hoje, creio que os artistas têm que se adaptar e arranjar maneiras de usar a Internet e o download como um aliado, ao invés de um inimigo.

Como está servida a vossa terra (Póvoa do Varzim), em relação a espaços ou iniciativas para uma banda como os Tryangle se apresentarem ao vivo?

Nuno: Nada, niente, kapute! A Póvoa de Varzim é uma cidade turística. É deserta durante a maior parte do ano e absurdamente sobrelotada no Verão. Vive muito às custas de um público muito mainstream e todo o negócio da noite e de bares gira à volta desse público. Oxalá alguém, algum dia criasse um “Hardclub” na Póvoa, isso é que era. Na verdade, temos um espectáculo agendado para dia 27 de Dezembro no auditório municipal da Póvoa de Varzim e é um dos poucos sítios em que, em conjunto com a Casa da Juventude local, se pode realmente criar algo.

4 Qual a vossa opinião em relação ao actual panorama musical português?

Ricardo: Está bem melhor do que há anos atrás, sem dúvida…

Nuno: O panorama musical português não está nada mal servido. Temos aí bandas muito boas, ao nível das bandas estrangeiras. Fazendo uma análise superficial, há artistas aí que metem dó, mas há outros que têm vindo a provar que querem e estão a fazer um bom trabalho. Agora, sítios para tocar e entidades a apostar em força nos nossos artistas é que não se vê.

E, em relação ao estado geral do país?

Nuno: Muito orgulho em ser português, mas a verdade é que este País vive das glórias do passado, desde o tempo dos descobrimentos. Também do futebol, mas isso é geral. Acho que está na hora das pessoas arregaçarem as mangas e sujarem as mãos a trabalhar, é a única maneira de se criar riqueza num país.

Gonçalo: Em relação ao estado geral do país, acho que está tudo muito bem. Sim. De acrescentar, igualmente, que adorei responder a esta pergunta.

E agora, com o EP pronto a ser editado, quais os próximos passos dos Tryangle?

Nuno: Bem, primeiro temos que tratar de arranjar maneira para editar o “EP”. Depois disso, estamos dispostos a tudo (salvo seja). Adoraríamos quebrar fronteiras e lançarmo-nos á Europa. Há que perder o medo e assumir a vontade de que queremos muito fazer isso, mas aquilo que nos compete é fazer música e trabalhar de modo a criar as oportunidades, para que, quem sabe, isso se torne possível um dia.

Ricardo: É, não sabemos se o E.P. será editado ou não, estamos a estudar neste momento várias oportunidades… Mas o próximo passo será promover as músicas ao vivo o mais possível.

Última pergunta: qual é a vossa personagem preferida de banda desenhada?

Nuno: Fritz, the cat.

Ricardo: Corto Maltese.

Gonçalo: Patinhas, O Tio.

5 Curiosidades:

Como surgiu o nome da banda, Tryangle?

Nuno: Gostamos muito de geometria.

Ricardo: Entre vários nomes, surgiu este e foi o que o pessoal mais gostou… Talvez devido aos multi-significados que a palavra poderá representar.

Um concerto (vosso), que de alguma forma vos tenha marcado?

Nuno: Gostei de todos, mas não me lembro de nenhum deles em concreto. É bom sinal.

Ricardo: Barco Rock Fest, por ter sido o pior de sempre.

Influências?

Gonçalo: Influências, influências… Fontes de inspiração! Isto é estilo aquele jogo dos sinónimos, estou a gostar.

Nuno: Maduro tinto douro ou alentejano; bandas fixes como os Black Sabbath, Led Zeppelin, Nirvana, Beatles; mulheres!

Ricardo: King Crimson, Soundgarden, Meshuggah.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Nuno: Old Jerusalem, Linda Martini.

Ricardo: Júlio Pereira, José Afonso, Maria João e Mário Laginha.

Gonçalo: TrYangle.

Myspace dos TrYangle

(Esta entrevista faz parte integrante da edição de Novembro da webzine HEADZUM.ORG)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Na Grafonola do Marsupilami | Prana

Os Prana chegam-nos de São João da Madeira, e na bagagem trazem o EP de estreia intitulado "1", que tem sido muito bem recebido por todos. E não é para menos. Este EP é um punhado de (boas) canções que viajam por algumas das ramificações do rock, que vagueiam entre melodias suaves e intensas, e que expressam a vontade e o desejo de agradar a todos os amantes de música, e não só. O Marsupilami gostou do que ouviu, e quis saber mais sobre estes rapazes e rapariga e, por isso mesmo, esteve à conversa com os Prana, conversa essa que podem ler já de seguida.

Prana01 Quem são os Prana?

Os Prana são: Diogo Leite - baterista, o Miguel Lestre - Baixista e Vocalista, o João Ferreita -guitarrista e a Ana Moreira -teclista.

Quando e como é que tudo começou? E, na altura qual era o objectivo?

Tudo começou com umas guitarradas de covers, aos sábados à noite num jardim. Com o interesse a aumentar Miguel, João e posteriormente Diogo e Ana, começaram por compor os seus próprios temas, com o objectivo de promover a música portuguesa.

Lançaram este ano o vosso EP de estreia, intitulado “1”. Como tem sido a reacção ao mesmo?

Felizmente temos tido muito boas reacções. Queremos dar a conhecer o nosso EP ao máximo, de todas as maneiras possíveis.

Que querem transmitir com a vossa música, e em particular com”1”?

Queremos agradar a gregos e troianos, daí, a nossa música ser bastante ecléctica. Até hoje, felizmente, temos conseguido agradar desde os 8 aos 80.

Em que se inspiram para criar a vossa música?

A nossa música é inspirada em momentos. Momentos que deixam a sua marca, que nos fazem pensar. Assim, tanto podemos criar uma música alegre como, no dia seguinte, criar uma música mais melancólica. Deixamo-nos levar pelo que mais nos toca, sem qualquer tipo de entrave.

Estão agora na fase de divulgação do vosso trabalho, uma tarefa ingrata para qualquer banda. Têm sentido dificuldades em divulgar o vosso trabalho, e como o têm feito?

Nos dias que correm, nada cai do céu. É preciso procurar e lutar por aquilo que se pretende. Acho que se tudo fosse fácil, não daríamos valor a muita coisa. É um processo suado mas por enquanto não nos podemos queixar, mesmo nada...

Prana03 A net tem tido um papel fundamental nesse mesmo campo da divulgação. Qual é vossa opinião em relação à net vs música que se vive hoje em dia? Acham que poderá trazer mais vantagens, ou mais desvantagens para uma banda como os Prana?

A net é uma mais valia no processo de divulgação. Permite colocar o nosso trabalho no outro lado do mundo em minutos. Permite que toda a gente possa aceder ao nosso trabalho sem sequer sair de casa. Isso por vezes também pode ser mau, porque a facilidade em adquirir música é tanta que faz com que o público alvo, a despreze um pouco.

Como está São João da Madeira, a vossa terra de origem, a nível de concertos? Existem espaços quer em quantidade, quer em qualidade para uma banda como os Prana se apresentar ao vivo?

São João da Madeira é uma cidade com muitas bandas. Todas elas têm oportunidade de se mostrar, o que não quer dizer que isso aconteça no local mais indicado. O melhor espaço de concerto é para nós o Paços da Cultura, local esse que vamos passar por lá no dia 1 de Outubro (dia da música ) a convite da Câmara Municipal de São João da Madeira.

E no resto do país, acham que está melhor a esse nível?

Ao longo do tempo vai começando a existir bons espaços assim como boas iniciativas, para todas as bandas e estilos musicais, por vezes estas nao são renumeradas da melhor forma, mas já começam a ser positivos os balanços.

Qual é a vossa opinião em relação ao actual panorama musical português?

É obvia a evoluçao. Hoje em dia a internet, veio revolucionar tudo e todos, é natural que as pessoas ao ter conhecimento daquilo que se produz num outro país, tenham mais gozo ao produzir algo "moderno", isso nao acontecia a 20 anos atrás.

E em relação ao estado geral do país?

Não querendo falar em crise, porque é essa a moda... Temos mais espaços verdes, logo temos mais natureza. (risos) Falando sério, as editoras deviam tratar "um pouco" melhor o(s) músico(s) e não trabalhar com eles como se fossem pacotes de bolachas, na qual a marca concorrente tem uma promoção , logo a nossa terá que ser melhor! O resultado disso faz com que o músico será obrigado a produzir algo que não lhe toque pessoalmente, mas porque está na moda isto ou aquilo. Um outro aspecto que é perfeitamente notável, é as pessoas num país estrangeiro levam os filhotes com 6, 7 anos a verem concertos de jazz, música classica, rock, pop, etc, aqui em portugal é muito difícil isso acontece, vemos sim os miudos a pedir para ir ver certos e determinados artistas, mas a vontade nunca parte dos pais.

Prana02 Agora o que se segue? Quais os próximos passos dos Prana?

Neste momento temos estado apresentar o recente trabalho "1" pelo país. Quanto a próximos passos é mesmo a pré-produção do novo disco, pois já temos bastantes ideias na qual nos está a deixar com bastante agua na boca.

Uma última pergunta: qual a vossa personagem preferida de banda desenhada?

O Miguel gosta do Calvin, o João do Lucky Luke, o Diogo do Tintin e a Ana do Astérix.

Curiosidades:

Porquê o nome Prana?

Escolhemos Prana, porque para além de nos ter soado bem logo de início, tem um significado que se tornou a pedra basilar da banda. Prana, do sânscrito Pranan, significa energia psíquica e vital manifestada biologicamente, que é basicamente o que sentimos e o que queremos contagiar.

Influências?

Vimos todos de círculos musicais diferentes e, consequentemente, temos influências distintas, algo bastante perceptível no nosso EP, o que torna engraçado todo o processo criativo que envolve a criação de temas. Nomes como Radiohead, Chopin, Porcupine Tree, A Perfect Circle, Emir Kusturica, Rodrigo Leão, Ray Charles, Pink Floyd, Rufus Wainwright, Ornatos Violeta, Blur, John Coltrane, etc, fazem parte da lista de músicos e bandas pelas quais nutrimos um carinho especial.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Ultimamente, a nível nacional, têm-nos chegado aos ouvidos novas perspectivas musicais interessantes como Sean Riley & the Slowriders, Deolinda, Bunnyranch, Xaile, Projecto Fuga, etc, para além daquelas que já consideramos clássicas como Wraygunn, Pluto, Jorge Palma... por aí.

Myspace dos Prana

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Na Grafonola do Marsupilami | peixe:avião

Entre o mar e o céu, algures pelo meio, ou então um pouco por todo o lado, andam uns senhores chamados peixe:avião, banda de Braga que certamente muito boa gente já conhece, ou ouviu falar. Depois de uma promissora maqueta lançada no ano transacto, a expectativa era alta, mas chegou ao fim. Na passada segunda-feira, dia 15 de Setembro, lançaram o álbum de estreia, intitulado “40.02” que promete entrar no coração de todos aqueles que o quiserem ouvir e descobrir. O Marsupilami, fez-lhes algumas perguntas na semana anterior ao lançamento de "40.02", perguntas a que eles responderam prontamente, de forma sincera e apaixonada, exactamente como a sua música. As repostas, podem-nas ler já de seguida...

foto promocional 003 Quem são os peixe : avião?

Somos uma banda de Braga que teve início em agosto de 2007, formada por pessoas de diferentes áreas e formações, reunidas pela vontade simples e vincada de criar música.

Quando e como começou esta aventura? E, na altura quais eram os objectivos?

Teve início há um ano por esta altura; em agosto de 2007 o Luis Fernandes, o Zé Figueiredo e o Ronaldo Fonseca conversaram no seu café habitual e decidiram dar início a este projecto, ao qual se juntariam Pedro Oliveira e André Covas. Apesar de quase desconhecidos entre si, houve desde o início uma forte empatia e complementaridade dos 5 elementos, dando de imediato solidez aos objectivos imediatos de criar música e fazê-la chegar a tanta gente quanto possível.

Depois da primeira maqueta “finjo a fazer de conta peixe : avião”, estão prestes a lançar aquele que será o vosso álbum de estreia, intitulado “40.02”. Sinto que há já um culto em redor de vocês, sentem o mesmo? Como têm reagido as pessoas ao vosso trabalho, às vossas músicas?

Sentimos uma certa curiosidade e burburinho mas será ainda cedo para se falar em culto. Estamos orgulhosos desta segunda etapa da nossa existência e, apesar de ainda pouquíssima gente o ter ouvido, julgo que as pessoas vão gostar do disco se o ouvirem. Cremos que o disco tem muito para descobrir e requer atenção a cada audição. Se assim for, a música vai retribuir.

Podem adiantar algo mais sobre esse vosso álbum que sairá em breve?

O nosso álbum é composto por 10 temas, 2 dos quais faziam parte do nosso EP de estreia. Foi gravado pelo Zé Figueiredo, Luis Fernandes e José Arantes na Oops! (Barcelos), produção por nós e pelo Paulo Miranda na AMP (Viana do Castelo), e masterizado por Allan Douches, na WestWestStudios (New York).

Que querem transmitir, no geral, com o vosso som, as vossas músicas?

Queremos que haja uma descoberta de sensações e pormenores melódicos pela sua audição.

Onde se inspiram os peixe : avião?

Cada um de nós tem as suas próprias fontes de inspiração, as suas musas, os seus momentos. Mas partilhamos entre nós a música como inspiradora, pois ou espelha ou veicula a determinados estados de espírito. A vontade de dizer algo sem saber muito bem como, é suficiente para despoletar essa necessidade de fazer música.

foto promocional 004 Vocês cantam em português. Foi desde logo algo que decidiram que tinha de ser assim, ou foi algo pensado posteriormente? Acham que vos poderá ajudar a chegar mais rapidamente às pessoas, pelo menos no nosso país?

Um dos motivos porque a tomámos tem a ver precisamente com a capacidade de chegar às pessoas mais rapidamente, dentro do nosso pais. Por outro lado, do ponto de vista criativo achámos que o português oferece mais possibilidades do que o inglês. Cantar em português foi uma condição basilar deste projecto, pois não teria qualquer sentido se assim não o fosse: a nossa língua é muito musical, fluida, cheia de sentido e beleza. Tal como o inglês, cremos que possui em si universalidade e que pode carregar consigo a mensagem lírica e musical que pretende. O inglês sempre foi a língua de eleição para a maioria das bandas, pelo que foi descrito, mas também – regra geral – não precisar de haver grande detalhe na construção das letras, por ser bastante plástico e de fácil/difícil interpretação. Para nós, tem que existir o trabalho de coexistirem as letras e a música que as suporta, tudo tem que ser talhado para que, tanto uma como a outra poderem existir sozinhas. Ambas carregam uma mensagem. Pensamos e falamos em português. Se bem que a música possa ser uma linguagem universal, importa que consigamos cunhar com “portugalidade” a nossa.

Está já a decorrer a fase de divulgação deste vosso novo trabalho. Têm sentido dificuldades a esse nível? E como o têm feito?

A nossa editora (rastilho records) tem tratado desse departamento e o seu trabalho tem sido muito bom. Temos conseguido chegar às pessoas através da net, da rádio e da imprensa e isso é fundamental. Apesar de todos se desdobrarem em esforços para haver divulgação do nosso trabalho, tem sido um processo bastante natural, tem havido interesse em descobrir o nosso projecto.

Ainda sobre a divulgação, a net tem hoje em dia um papel fundamental nesse campo. Qual é a vossa opinião em relação à influência que a net tem tido sobre a música? Acham que poderá trazer mais vantagens ou mais desvantagens para uma banda como os peixe : avião?

Do ponto de vista da divulgação, não vemos que desvantagens pode oferecer a internet. Na verdade, sem ela não poderíamos provavelmente ter chegado neste período de tempo à edição de um álbum. É actualmente o meio de fazer chegar informação e de a adquirir de forma mais rápida.

Ao nível de concertos, acham que existem locais suficientes no nosso país, quer em quantidade quer em qualidade, para uma banda como os peixe : avião se apresentarem ao vivo?

Essa é uma questão que pode nunca ter resposta. É claro que quantos mais sítios com qualidade e com boa afluência de público existirem, melhor para nós e para todas as outras bandas, mas temos de lidar com as condições que existem e fazer o melhor possível para dar bons concertos e chegarmos ao maior numero possível de pessoas através deles.

Qual a vossa opinião em relação ao actual panorama musical português?

De dia para dia, nascem projectos musicais portugueses de qualidade, o que é bastante notório nas playlists das rádios, nos cartazes de festivais, no myspace, entre outros. Acresce o recurso à nossa língua, que também é bastante positivo. Vai-se perdendo o medo de pegar no português e moldá-lo para canção. Assiste-se igualmente a um crescente interesse pela música nacional por parte do público, admitindo tanto um incremento qualitativo do que por cá se faz como uma readaptação do que por cá se ouve.

E em relação ao estado geral do país?

Não anda bem de saúde, o nosso pais...

foto promocional 002 E agora, quais os próximos passos dos peixe : avião?

Temos para já marcadas várias actuações, que servirão para divulgar o nosso álbum de estreia e o nosso nome.

Uma última pergunta: qual a vossa personagem preferida de banda desenhada?

O Homem-Aranha?? Talvez por ter a vida mais complicada e ter mais dificuldades que o Super-Homem. Sendo super, tudo pode e tudo faz – e a vida sem grandes desafios não tem muita piada.

Curiosidades:

Porquê o nome peixe : avião?

É um nome que reúne algumas soluções imagéticas, que não contém uma interpretação estanque, que se pode desenvolver em ambientes e atmosferas várias. Consegue reflectir a nossa música, portanto.

Influências?

Todos temos as nossas, mas existem algumas que partilhamos: pop-rock britânico, indie-rock, alternativo e experimental.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Clã, Mão Morta, Mikado Lab, entre tantas outras. Existem muitas boas bandas no nosso pais a praticar muito boa musica.

Myspace dos peixe:avião

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