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terça-feira, 25 de agosto de 2009

NA GRAFONOLA DO MARSUPILAMI | Luís Costa e Paula Petreca

Vivemos num mundo cada vez mais pequeno. As fronteiras, pelo menos virtuais, deixaram de existir, e é cada vez mais fácil trocar ideias e pensamentos com alguém que vive simplesmente a milhares de quilómetros. Luís Costa e Paula Petreca são uma das provas disso mesmo. Tinham um mar imenso entre eles, mas não foi por isso que deixaram de unir esforços, e criarem algo no mínimo interessante, o EP “Short Fleeting Moods”, onde ele toca e ela dança. O Marsupilami quis saber como tudo aconteceu, e esteve à conversa com os dois.

luis e paula - ensaioComo surgiu esta parceria entre vocês os dois, quando têm “apenas” um oceano (atlântico) pelo meio?

Paula Petreca (PP) - Eu andava a descobrir o myspace, e na época tinha um interesse especial por fado, e acho que por uma página devotada ao Carlos Paredes encontrei o Luís como um dos artistas relacionados, e a empatia foi imediata. Tempos depois, escrevi a ele pedindo autorização para usar suas canções em performances (no Brasil há sempre de se ter direitos sobre isso, ou então tem de se pagar coimas), e daí ele respondeu que autorizava mas que não imaginava como podiam ser dançados seus temas… Acho que isso deixou-me inquieta e o primeiro vídeo (Innocence’s Demise) foi uma “resposta” a essa questão do Luís.

Uma pergunta para o Luís: alguma vez tinhas imaginado as tuas músicas retratadas da forma que a Paula o fez?

Luís Costa (LC) - Nunca. Como a Paula disse, a minha primeira resposta quando ela me falou em dançar a minha música foi que não me importava nada, mas que não imaginava como tal seria possível. Confesso que não sou grande conhecedor de dança contemporânea, sempre pensei que fosse preciso ritmo para se dançar algo, mas assim que vi as primeiras gravações que ela fez todas as minhas dúvidas se dissiparam. E é engraçado porque é sempre uma surpresa quando vejo as interpretações que a Paula dá às minhas músicas, normalmente é sempre algo que eu nunca imaginaria. No fundo acho que é isso que me fascina, a forma como a nossa percepção de algo muda, consoante os sons e as imagens que lhe associamos.

Paula: é exactamente dessa fora, sensual e misteriosa, que sentes as músicas do Luís? E, foi algo que surgiu de imediato, ou algo que foi crescendo?

PP - Danço exactamente o que ouço, às vezes até me questiono se não estou a fazer apenas uma tradução simultânea, ecoando uma fala ao invés de conversar com ela… Mas isto é também questionamento que vem de minha dança. Sou uma dançarina em crise constante… Não sinto sensualidade nem mistério em verdade, é engraçado porque em princípio achava a música do Luís muito um fado, mas muito grunge, como se essas duas coisas pudessem ter se miscigenado. Claro que depois de um tempo, fui criando maior familiaridade, algumas apreciações foram tornando-se mais recorrentes, e a percepção de certas sintonias foi afinando o diálogo… Mas isto vai sempre se transformando, porque acho que tanto eu quanto o Luís temos grandes buscas a respeito de nossos afazeres, de modo que há sempre lugares por chegar…

Este é o teu quarto trabalho, e talvez o mais ”sério”. Concordas com esta afirmação Luís? Encaraste-o dessa forma?

LC - Não, de todo. Mais uma vez foi um fruto do acaso, da colaboração inesperada com a Paula, e a única premissa desde o início foi manter as coisas simples. A minha última demo foi bastante mais pensada e trabalhada, até porque implicou a colaboração com outros músicos, e a intenção à partida para este trabalho foi mesmo simplificar o processo e tentar conseguir o melhor resultado possível com o mínimo de meios possível. É claro que rapidamente vim a descobrir que é bem mais complicado fazer algo simples do que o inverso! (risos)

Luis e Paula - live

Sei que apresentaram este trabalho ao vivo, os dois. Qual foi a reacção do público que esteve por lá? É algo que poderá voltar a acontecer?

PP – Olha, foi muito fixe partilhar a cena com o Luís, e observar como ressoa entre o público de música a ideia de alguém dançar ali e isso ser também concerto… Eu queria experimentar isso muito mais, mas tenho maior dificuldade de fazer isso em um ambiente de dança, porque a ideia da dança contemporânea já propôs tantas formas de co-existir com a música que nada mais parece ser original… Mas o facto é que a inquietação de dançar num concerto tem também um viés muito prático: eu sou daquelas que fica sempre ao pé do palco, “saracutiando”, tapando a vista de algumas pessoas, o que às vezes isso é um tanto “pentelho” para quem vai ali para outra apreciação, então se eu vou para o palco, já não estou a tapar a vista de ninguém, a pessoa pode escolher ficar só com a performance do Luís se quiser. (risos)

LC - Para mim foi bastante estranho, porque venho de um background de concertos “tradicionais” e esta apresentação foi no contexto do espaço experimental do C.E.M. (Centro Em Movimento), o ambiente era completamente diferente de um concerto. Mas foi muito bom, acho que a pequena dimensão e a acústica da sala conferiu uma intimidade muito maior às músicas e à apresentação como um todo, e a reacção pelo menos das pessoas com quem falei foi muito boa. É definitivamente uma experiência que queremos repetir, mas ainda estamos a tentar trabalhar melhor a ideia, quer a nível da parte visual, quer a nível da parte musical com a adição de loops.

Em relação ao EP “Short Fleeting Moods” propriamente dito, como tem sido o feedback, quer em Portugal, quer no Brasil? Têm divulgado por lá também?

LC - Tem sido bom, principalmente tendo em conta a pouquíssima promoção que eu faço! (risos) No dia a seguir a ter posto o EP online, fui contactado por uma loja online do Japão com o intuito de o vender por lá, que foi das coisas mais surreais que me aconteceu a nível musical. A nível de downloads da última vez que me informei já andava perto dos 500, o que é muito bom tendo em conta que não faço promoção ao vivo do disco.

PP - Eu até agora estou estupefacta com a ideia de que isso está a venda no Japão… E também muitos colegas meus que nos viram actuar juntos, acabaram por se interessar pela música do Luís, de modo que distribuí uns álbuns… Para o Brasil propriamente dito, só enviei algumas cópias à minha irmã (que é uma grande produtora e divulgadora), mas tenho uns amigos que tem por lá labels, aos quais ainda não tive tempo nem organização para enviar nada, de modo que é capaz de ficar para fazer essa distribuição só mesmo quando eu voltar.

Há uma pergunta incontornável a fazer à Paula: quais são as maiores diferenças e semelhanças, musicalmente falando, entre Portugal e Brasil?

PP - Eu sempre penso muito nisso… Acho que as semelhanças e diferenças são muito relacionadas e andei pensando se isso não tem a ver um bocado com o modo como a cultura (local daqui e de lá) foi exposta à cultura estadunidense… Porque eu ouço o Luís, o Azevedo Silva, os Dead Combo, o Nuno Rancho, o Noiserv; e ouço isso se calhar porque tive um dia ouvidos de Nirvana, Jeff Buckley, Ennio Morricone, Carlos Paredes… E assim também é como eu aprecio meus compatriotas Hurtmold, Polara, Los Hermanos, Totonho e os Cabra, Cidadão Instigado (etc. …), vai ver porque me chegam aos ouvidos, que um dia já ouviram Black Sabbath, Smashing Pumpkins, Strokes, Roberto Carlos, Noel Rosa, música de umbanda…. Não sei se consigo ser directa sobre isso, porque não é algo simples como causa e consequência, mas é como se as informações a que eu fui exposta direccionassem-me para um hábito de apreciação que possibilita-me navegar através de géneros com alguma coerência estilística, que é muito pessoal… Mas pá, em termos de cena… Bom eu era de São Paulo, que é uma cidade muito grande, então a dinamicidade é maior, e eu via as bandas e músicos se articulando uns com os outros para viajarem o país, irem tocar noutros lados, trazerem também os camaradas de longe para tocar para nós, isso é algo muito fixe que vejo acontecer por lá, essa circulação, que aqui ainda não vi muito…

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Qual a vossa opinião em relação ao panorama musical nacional?

LC - Penso que já me tinhas feito essa pergunta numa entrevista anterior, e a minha resposta continua a ser a mesma: é a melhor fase que me lembro de viver na música nacional, pelo menos a nível criativo. Estou constantemente a descobrir novos projectos com uma qualidade incrível, e felizmente a geração mais nova parece andar mais atenta ao que se vai passando na música nacional. Para além disso, é bom ver que alguns projectos que começaram pelo underground têm conseguido extravasar para um público maior e mais mainstream, como o caso dos Deolinda e dos Peixe: Avião, por exemplo.

PP - Eu me surpreendi muito com a diversidade de propostas, e também com a fertilidade criativa dos artistas, mas também eu não tinha informação actualizada sobre a música portuguesa, sabia de cá dos fadistas e desta tradição, e acho que nada para além disso. No entanto, acho pena que essa inovatividade da cena independente reverbere pouco para a música de massa, posso estar enganada, mas o que se vende nos destaques nacionais da Fnac, ou outras lojas do género, retrata um amálgama mais homogéneo e previsível do que há por aí… Mas isso acontece também em meu país, e se calhar no mundo todo.

Que projectos nacionais têm ouvido?

LC - Tenho ouvido muito o Noiserv, que lançou para mim um dos melhores álbuns de 2008, continuo a ouvir bastante o álbum dos Deolinda, o Nuno Rancho, os Pontos Negros… para além disso, durante o dia vou “saltitando” muitas vezes de myspace em myspace e acabo por descobrir coisas novas muito boas; a minha mais recente descoberta foi o Nuno Mar, que tem músicas ambientais lindíssimas.

PP - Já mencionei o Azevedo Silva, os Dead Combo, o Nuno Rancho, o Noiserv… Uma amiga deu-me um mp3 carregado de cantores populares como o Zeca Afonso e o Rodrigo Leão, e tenho gostado de algumas coisas… Estive também em alguns concertos que gostei muito como o da Lula Pena com o Norberto Lobo, e os Farrafanfarra. Confesso estar muito curiosa sobre a música pimba, porque às vezes apetece-me divertir um bocado com músicas mais chulas.

Há uns tempos, por alturas de “…So Said The Mute”, perguntei-te para quando um álbum. Já mudaste de opinião?

LC - Já mudei, e já voltei a mudar de novo para a opinião inicial! O meu projecto a solo de momento está em standby (à excepção das experiências com a Paula para uma nova apresentação ao vivo), porque formei uma nova banda com o Afonso Cabral e Salvador Menezes dos V.Economics, e portanto os meus esforços de composição estão concentrados exclusivamente nesse projecto.

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E agora, que podemos esperar num futuro próximo de vocês os dois?

PP - Mais vídeos de certeza, e pelo menos um concerto antes de eu ir embora… (risos)

LC - O que a Paula disse… e da minha parte, espero lançar uma demo/EP com a nova banda ainda este ano, e começar a apresentar o projecto ao vivo.

O Hiro Nakamura ainda se mantém como a tua personagem favorita de banda desenhada, Luís? E a tua Paula, qual é?

LC – Sem dúvida, até porque nesta nova temporada do Heroes ele é a única coisa que se aproveita no meio daquela salganhada toda! (risos)

PP - Eu sempre gostei muito da Turma da Mónica, e tive vários favoritos daqueles personagens ao longo da vida… Estou numa fase muito Chico Bento actualmente, meu favorito… (risos)

Myspace de Luís Costa

Myspace de Paula Petreca

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Notícias | Luís Costa lança novo EP

short fleeting moods-2 Está desde ontem disponível para todos os amantes de (boa!) música, o novo trabalho do grande Luís Costa intitulado "Short Fleeting Moods", que se encontra para download gratuito no respectivo Myspace. Para quem não sabe, Luís Costa é um dos grandes talentos nacionais que, inclusivamente, fez parte da colectânea "Novos Talentos Fnac 2008", com a música "Punk Rock". Em três anos, desde 2005, este é o quarto trabalho de Luís Costa, que depois de três fabulosos trabalhos "apresentados como meros exercícios sob a injusta marca de demo", eis que chega agora algo diferente, fruto da "parceria virtual e transatlântica com Paula Petreca, bailarina brasileira, que transpõe para vídeo as músicas de Luís Costa, numa interpretação corporal das notas exploradas pelo músico. Esta inesperada colaboração acabou por resultar no EP conjunto 'Short Fleeting Moods' que agora apresenta, inspirado nos estados de espírito voláteis e fugazes que tão frequentemente nos invadem sem qualquer explicação". Numa primeira análise: um par fabuloso! Para além da edição digital, haverá também uma edição física de "Short Flleting Moods". Não deixem de o ouvir, ver e tratar bem.

Myspace do Luís Costa

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Lançamentos 2007 | Edição 6 | Luís Costa - Demo - "...So Said The Mute"

Luís Costa é actualmente um dos melhores músicos nacionais, já o tinha dito e mesmo assim não me canso de o dizer de novo. A sua (ainda) curta carreira musical é já seguida de perto por muita gente, sendo inclusive uma referência para muitas dessas pessoas. “…So Said The Mute” é a sua terceira demo e o seu mais recente trabalho, e é na minha opinião um trabalho fenomenal. Um trabalho onde os sentimentos falam mais alto, constituído por músicas que despertam sentimentos, sentimentos em forma de músicas. Já por altura do seu lançamento, O Marsupilami falou sobre este trabalho: "São mais setes canções, sete experiências sonoras, que nos transportam para um mundo de fantasia e magia. A partir do momento que pressionamos play, como que levitamos ao sabor da melodia contagiante que as guitarras debitam, que por sua vez acompanham o ritmo de uma batida suave, como só Luís Costa sabe fazer!” Simplesmente: mágico!

E agora, algumas palavras de Luís Costa:

"Esta minha última demo – "...So Said The Mute" - representou para mim uma grande evolução em relação à anterior, não só a nível de composição mas principalmente ao nível dos arranjos e do cuidado dedicado aos mesmos. Desde o início, a única premissa com que parti para a composição e gravação destas músicas foi a de convidar outros artistas que tinha conhecido nos últimos 2 anos através da internet, de maneira a conseguir alcançar diferentes sonoridades que sozinho nunca conseguiria. Tive a sorte e o privilégio de poder contar com a colaboração de músicos incríveis que eu muito admiro, nomeadamente a Filipa Vale no violino, o Tiago Benzinho nos arranjos de cordas, o Afonso Cabral (dos Voodoo Economics) na voz e o João Santos (dos Khorda) nos samples e "background noises"; todos eles deram o seu cunho pessoal aos temas em que participaram, transportando-os para uma nova dimensão que eu nunca sonharia.
O título e o conceito da demo só surgiram já perto da fase final, quando procurei algo que unificasse todos os temas; a conclusão a que cheguei foi que o único denominador comum entre eles era simplesmente o facto de serem uma representação de vários sentimentos e estados de espírito meus, e de serem portanto a minha forma de me expressar, sem palavras. O título "...so said the mute" não se reduz no entanto à minha experiência pessoal mas pretende ser um tributo a todos aqueles que encontram formas criativas e artísticas de expressarem os seus mais íntimos desejos, medos, alegrias e frustrações, e que tornam um bocadinho menos solitária a vida de quem com eles se identifica."


...So Said The Mute
Demo
Luís Costa
Edição de Autor
Maio 2007


sábado, 17 de novembro de 2007

A Agenda do Marsupilami | HOJE | Azevedo Silva

Azevedo Silva e a sua "Tartaruga" vão estar hoje na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, para mais uma apresentação da referida "Tartaruga". O concerto começará pelas 22h30 e terá uma participação especial - na percussão - do seu amigo, Luís Costa! Razões mais do que sufiecientes para não perder este espectaculo!

domingo, 4 de novembro de 2007

Videoclip do Marsupilami | "Hora sem minutos" | Luís Costa

E eles - Luís Costa e Paula Petreca - cá nos vão habituando a estas pequenas delicias. Estão a habituar-nos mal, já que depois não vamos querer que eles parem de nos mimar! Mais uma música nova dele, e mais um vídeo novo dela. Tudo em sintonia e perfeição...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Videoclip do Marsupilami | "Encontro" | Luís Costa

Mais um, dois em um - novo vídeo e nova música de Luís Costa! Mais um, excelente trabalho dos dois - Luís Costa e Paula Petreca! Só que desta vez foi diferente... A Paula enviou um vídeo sem som, e o Luís a partir das imagens inspirou-se e criou a banda sonora para elas! O resultado é aquele que se vê e ouve: excelente! Mais uma vez, parabéns aos dois!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Videoclip do Marsupilami | "Verdes Anos" | Luís Costa

Dois em um! Música nova e vídeo novo, do grande Luís Costa! Para definir tanto a música como o vídeo nada melhor que as palavras do próprio Luís:

"Esta versão do clássico “Verdes Anos” do Carlos Paredes é a minha própria interpretação do tema, já que qualquer tentativa de imitar o original estaria sempre condenada ao fracasso. O que tentei fazer foi criar algo novo a partir do sentimento de alienação e saudade que oiço no original, espero que as pessoas o entendam não como uma simples cover mas sim como um pequeno tributo aquele que foi para mim o maior músico português de sempre.
O vídeo para a música foi feito novamente pela Paula Petreca, uma actriz e bailarina brasileira com quem colaborei recentemente noutro vídeo. A Paula criou a sua própria interpretação visual da música, numa perspectiva mais intimista e introspectiva, mas que acaba por complementar a minha visão do tema e dar-lhe uma outra dimensão."

Apenas acrescento: excelente trabalho, dos dois!

sábado, 18 de agosto de 2007

Videoclip do Marsupilami | "Innocence's Demise" | Luís Costa

Um vídeo novo para uma música antiga, utilizando as palavras do seu autor, nada mais nada menos que o grande Luís Costa! É um trabalho extremamente interessante, criado pela sua amiga do Myspace Paula Petreca, que apesar de viver do outro lado do atlântico, mais precisamente do Brasil, ouviu o seu trabalho, adorou e decidiu adicionar-lhe imagens, imagens essas que na minha opinião estão muito boas e fazem completa justiça á música de Luís Costa. Pode ler-se ainda no Myspace do mesmo uma promessa de novidades, pelo que me parece, dos dois... Ficamos a aguardar!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com Luís Costa

Luís Costa tem-se revelado um verdadeiro artista, no sentido lato da palavra. Tudo o que tem feito, tem o feito com gosto e dedicação apesar de alguma preguiça (esta última palavra foi dita por ele!). O talento salta á vista, ou melhor, aos ouvidos de quem ouve o seu trabalho. Tanto nos Madcab, onde faz um trabalho excelente na secção rítmica da banda, como no seu projecto a solo, onde a inspiração e a imaginação parecem não ter limites. Uma conversa relaxada e sincera com ele, segue-se já de seguida...

Antes de mais, obrigado Luís Costa, por aceitares responder a algumas perguntas que te queria fazer. Obrigado.

Quando e como surgiu este teu projecto a solo?

Surgiu de uma forma muito espontânea e nada planeada. Apesar de ter começado pela guitarra, estive vários anos dedicado exclusivamente à bateria. Em Abril de 2005 fui ver um concerto da Joanna Newsom e do Ben Chasny (Six Organs of Admittance) ao Lux e fiquei simplesmente maravilhado com a simplicidade e o poder emocional das canções que ambos apresentaram a solo. Eu cresci nos anos 80 e para mim o conceito de artista a solo resumia-se ao Phil Collins e Elton John… acho que aquele concerto abriu-me os olhos para o facto de que não é preciso 10 layers de guitarra e uma secção de cordas para se transmitir algo de grandioso. No dia a seguir pus-me a dar uns toques na guitarra e surgiram logo algumas ideias que gravei no computador. Nessa altura falava frequentemente pela net com um amigo meu do Porto, o Hugo Raposo, e ele ofereceu-se para gravar voz numa música; gostei tanto do resultado final que acabámos por trabalhar juntos em vários temas, que deram origem à demo "Syn-er-gy". Infelizmente, por vicissitudes da vida deixámos de ter tempo para colaborarmos juntos e no início de 2006 decidi continuar a fazer as minhas gravações a solo, tentando arranjar outras alternativas para compensar a ausência de voz.

Para além deste teu projecto, és baterista dos Madcab, e ainda participas num projecto de um amigo, o Syn-er-gy. Como consegues lidar/separar todos estes projectos?

Acho que desde que haja vontade e motivação, arranja-se sempre tempo. O projecto Syn-er-gy como expliquei em cima está de momento em hiato, portanto basicamente é só Madcab e as minhas coisas a solo. Esta última demo, por exemplo, foi gravada aos bocadinhos ao longo de quase um ano. Algumas coisas foram gravadas durante a minha hora de almoço do trabalho, a maior parte das misturas foram feitas assim. É claro que se tivesse mais tempo seria tudo muito mais rápido, mas como não tenho compromissos comerciais a cumprir, tenho todo o tempo do mundo.

“…So Said The Mute” é a tua terceira demo, onde (mais uma vez) mostras uma enorme criatividade e inspiração. Onde vais buscar tudo isso?

É difícil de fazermos uma auto-análise a esse nível, mas penso que a diversidade de estilos e ambientes nas minhas músicas é um resultado natural de ouvir música muito variada. Apesar de o rock "alternativo" ser o estilo musical com que mais me identifico, sou fã de muitas outras coisas e acho que não há nenhum estilo que desdenhe completamente. Há 10 anos atrás tinha uma mentalidade muito mais fechada nesse aspecto, mas houve uma progressão natural e eventualmente percebi que em todos os géneros existem coisas boas e coisas más.
E depois, como nos Madcab trabalhamos mais dentro da área do rock, inevitavelmente procuro explorar outros ambientes nos meus temas a solo para desanuviar da barulheira infernal que são os nossos ensaios! :)

Que feedback tens tido em relação ao teu trabalho?

Melhor do que eu alguma vez poderia imaginar. O myspace teve um papel fundamental nisso, porque antigamente tu gravavas umas músicas tuas numa k7, passavas aos amigos e/ou eventualmente enviavas para umas rádios, e o feedback que recebias era sempre muito limitado; hoje em dia tu pões um tema no myspace e imediatamente podes começar a receber feedback em relação ao que fizeste, vindo dos 4 cantos do mundo. Parecendo que não isso é uma grande força motivadora para continuares a criar e foi o que se passou comigo, desde que pus as primeiras músicas de Syn-er-gy online que o feedback recebido sempre ultrapassou largamente as minhas melhores expectativas. Para além disso, também tenho recebido feedback muito positivo de outros artistas que admiro profundamente, essas são as minhas maiores "pequenas vitórias".

Para quando a apresentação dos teus trabalhos ao vivo? Pensas nisso?

Penso, já há bastante tempo, mas há alguns entraves que ainda não conseguir ultrapassar, até pela própria natureza do projecto. Eu gravo tudo em casa no PC, e é impossível reproduzir as músicas ao vivo sozinho, precisaria sempre de outros músicos. Ora, uma das coisas que mais me agrada no trabalho a solo é precisamente o poder fazê-lo no conforto do lar, sem quaisquer horários e sem os compromissos habituais inerentes a uma banda… esse é o principal motivo pelo qual ainda nunca apresentei as músicas ao vivo, para além da minha enorme preguiça que certamente também teve alguma influência! :) Mas de qualquer maneira, comecei recentemente a ensaiar com um amigo no sentido de preparar uns concertos ao vivo mais lá para o final do ano, num formato ainda por decidir...

E para quando um álbum?

Se te referes a um álbum com edição comercial, não te sei dizer. Não é de todo uma prioridade, porque enquanto não gastar dinheiro para gravar as minhas músicas, não vejo porque hei-de cobrar a alguém para as ouvir. A médio-prazo gostaria de poder gravar alguns dos temas num estúdio profissional e para tal precisaria certamente do apoio de uma editora, mas como disse não é uma prioridade a curto-prazo.

Tens utilizado a net como teu grande aliado na divulgação da tua música, disponibilizando sempre os teus trabalhos na totalidade para download. Vais continuar a faze-lo dessa forma? E qual a tua opinião em relação á música versus net?

Acabei por responder a isso na questão anterior, mas basicamente a Internet é o maior aliado de qualquer músico desconhecido que queira divulgar o seu trabalho. Não só te permite chegares a um público-alvo vastíssimo e sem limitações geográficas, coisa que seria impensável há uns anos atrás, como te permite interagir directamente com os teus fãs e perceber melhor aquilo que estás a fazer bem e o que estás a fazer mal. O problema que ainda subsiste é saber como é que isso poderá ser rentável para quem depende financeiramente da música… acho que no futuro irá passar muito por uma maior consciencialização dos fãs da necessidade de apoiarem os artistas que admiram, quer através da compra de álbuns e merchandise, quer nos concertos; não numa perspectiva de criminalização dos downloads, como tem sido feito até agora, mas numa perspectiva de se permitir os downloads e confiar que se o ouvinte gostar do que ouviu e tiver possibilidades financeiras para tal, irá certamente comprar o álbum e aparecer nos concertos.

O número de artistas e bandas que existem hoje em dia é “quase ilimitado”. Cada dia que passa surge centenas, talvez milhares de novos projectos em todo o mundo. Como artista, e depois como consumidor de música, que pensas disso?

Bom, às tantas é um bocado avassalador e eu próprio muitas vezes dou por mim a "picar" álbuns e a pô-los de lado após 1 ou 2 audições, o que é bastante injusto porque certos trabalhos requerem audições mais cuidadas. Mas faço um esforço consciente para evitar essa atitude, tento equilibrar a audição de coisas novas com álbuns mais antigos que não me canso de ouvir. Acima de tudo acho que é preciso bom senso e um pouco de moderação, qualidades cada vez mais raras nos dias que correm.

Qual a tua opinião sobre o actual panorama musical português?

É provavelmente a melhor fase que me lembro na música portuguesa. Temos uma quantidade enorme de novos artistas a fazerem coisas incríveis nas mais variadas áreas, quer ao nível amador quer ao nível profissional (bandas com edição comercial); o público começa finalmente a aparecer mais nos concertos de bandas nacionais, especialmente o pessoal mais novo; as bandas também estão um bocadinho mais organizadas (pelo menos a nível do underground) e já se mexem no sentido de organizarem concertos conjuntos e criarem oportunidades, em vez de esperarem que alguém faça isso por eles. É irónico que tudo isto aconteça ao mesmo tempo que se vive a maior crise de sempre da indústria discográfica, só prova que há um completo desfasamento entre as pessoas que gerem a indústria da música e as pessoas que a fazem.

Que pensas do estado actual do nosso país?

Não faço ideia, estou demasiado ocupado com os meus projectos musicais para ver notícias! :) Fora de brincadeiras, confesso que não sou uma pessoa que ligue muito à política ou ao que se passa a nível social... não quero com isto dizer que seja completamente indiferente ao que se passa à minha volta, há situações que são demasiado gritantes para se ignorarem, mas confio que outras pessoas com mais jeito que eu para o assunto tentem fazer algo para garantir uma maior justiça social.

E a seguir, quais os próximos passos de Luís Costa?

Não faço grandes planos, prefiro deixar a coisa fluir tal como tem acontecido até aqui. O único objectivo concreto para já é mesmo o tentar arranjar maneira de dar uns concertos, com a ajuda de uns amigos. Depois logo se vê...

Para terminar, conheces o doce tradicional de Santa Maria da Feira, que é a fogaça? Se sim, gostas ou nem por isso? (risos)

Não conheço, mas tenho esperança que me leves uma amostra para o próximo concerto de Madcab. :)

Curiosidades:

Influências?

Certamente que muitas, mas nenhuma que consiga identificar racionalmente.

Que instrumentos usas nas tuas gravações?

Guitarra, ritmos programados no Fruity Loops 5, alguns instrumentos programados em MIDI, ocasionalmente uma bateria roland V-Drums e ainda mais ocasionalmente voz.

Bandas nacionais que tens ouvido ultimamente?

Hipnótica (o novo álbum é dos melhores que ouvi este ano), Maria João, Micro Audio Waves, Azevedo Silva (outro dos álbuns do ano), Linda Martini, entre muitos muitos outros.

Qual a tua personagem favorita de banda desenhada?

O Hiro Nakamura do 'Heroes' conta? :)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A Ouvir na Grafonola - "...So Said The Mute" de Luís Costa

Luís Costa, baterista dos Madcab, já habituou os mais atentos, a de vez quando nos premiar com algumas das criações do seu projecto a solo. “…So Said The Mute”, é a sua mais recente demo. São mais setes canções, sete experiências sonoras, que nos transportam para um mundo de fantasia e magia. A partir do momento que pressionamos play, como que levitamos ao sabor da melodia contagiante que as guitarras debitam, e que por sua vez acompanham o ritmo de uma batida suave, como só Luís Costa sabe fazer!

“…So Said The Mute”, é como que o terceiro capítulo de uma história que começou com “Imperfeições” (capítulo um), e “All Those Differente Colors” (capítulo dois). A história continuará certamente! Enquanto isso, poderemos sempre ouvir, e tornar a ouvir os capítulos já editados.

Está tudo disponível, grátis, no seu Myspace, e para quem se atrever a entrar nesta história também…

AGENDA DO MARSUPILAMI