quinta-feira, 10 de setembro de 2009

OBSESSIVIDADE INTERMITENTE | 9

logoOBI[3][4][4]O Tony é que sabe.

Pergunto-me se há alguma banda em Portugal que encha o Pavilhão Atlântico. Pergunto-me se há alguma banda em Portugal que seja digna de um culto, sistemático por todo o mundo, de movimentar multidões para verem as sua actuações - claro, tenho que não contar com o Tony Carreira, porque esse movimenta mesmo multidões. Ainda o fim-de-semana passado, em Ermesinde, transformou aquela pequena cidade num espaço digno de um festival. No dia anterior estive lá a ver José Carlos Pereira e Cazino e teria cerca de 1000 pessoas, na mais optimista das opiniões. No dia a seguir foi realmente impressionante. Passei lá pela uma da manhã, vi pessoas a regressarem com o banquinho debaixo do braço, famílias a irem para casa, vi também a mãe, a filha e os três filhos da filha no café, à uma da manhã. Muito podemos concluir, daqui. Se é o Tony Carreira que enche realmente qualquer sítio, é de música ligeira que o país, na sua maioria, gosta. A maior fatia de pessoas de Portugal chega para esgotar e dar múltiplas platinas quando lança um disco. Não podemos nunca discutir a qualidade musical, neste caso, porque aí estaríamos a discutir gosto e isso é ridículo, neste momento, pois discutiria comigo próprio e depois vocês, que lêem estes textos, não discutiriam com ninguém, limitariam se a ignorar. E é mais uma vez a apatia a liderar. É a apatia geral. O povo sai à rua para ver o Tony mas nós não saímos à rua para ver as bandas que gostamos. Temos alguma vergonha de demonstrar a nossa simpatia pelo que quer que seja. Fica mal. Ou é a debandada geral para algum lado, tipo festival de verão, onde nos vamos entupir de coisas com meia dúzia de amigos, que a maior parte das vezes conhecemos mal, onde aproveitamos o pouco dinheiro que se gasta para fazer disso férias, ou então, sempre que seja mais que 0,1 euros que se pague ficamos em casa, porque não temos dinheiro e o tabaco e jantar fora, não é compatível com a maior parte dos concertos. Mas já só vai lá com um estudo sociológico e uma lavagem cerebral, caso contrário teríamos que acordar amanhã e a mentalidade ter mudado radicalmente. Dizem que em 2012 vai haver uma mudança grande a nível de consciência. Tomara que sim, que o ser humano evolua. Nós por cá, ainda nos custa mais do que o que conhecemos. A seu tempo, a seu tempo.

Davide Lobão | www.myspace.com/chemicalwire

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