quinta-feira, 27 de agosto de 2009

OBSESSIVIDADE INTERMITENTE | 8

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Rigorosamente nada a ver com o que se pretende.

Hoje sou apenas um caso de pouca pele morena e de vontade de dormir. Preocupações à parte, comida à parte, muito sol, muito pouco de televisão aos potes. Passeios, coisas inúteis – férias. Talvez seja esta a altura do balanço do ano, é como o final do ano lectivo. Há já um ano que embarquei numa outra viagem para a viragem mas desde lá até aqui não ganhei aquele dinheiro que parece que as pessoas ganham. Se calhar escolhi mal a área. Ontem passeie-me na marina de Vilamoura. Acho que o parque de estacionamento está cheio, para os iates. Alguém sabe quanto custa um iate? Ah, e não me parece que os mais ricos do mundo parem todos cá, mas admito, embora não esteja como noutros anos há muito inglês. Está bom aqui. Admito que é igual ao Porto, toda a gente procura divertir-se. É como a baixa do Porto só que com mais calor, mais turistas e mais lojas com coisas inúteis ou seja, completamente diferente, mas num exercício mental, bastante parecidos. Aqui há aldeamentos, restaurantes, piscinas, gente em tronco nu, miúdas semi despidas, estrangeiros bastante vermelhos e as mesmas músicas de sempre. Mambo nº 5 e Macarena style. Talvez a adição importante deste ano seja a Billie Jean, do Michael Jackson. E é estranho, as pessoas procuram todas o Algarve para férias. Praia, calor, animação. No resto do ano, trabalho. Incomoda-me este pensamento. Se calhar é por ter um trabalho pouco convencional e não ter emprego. Sim, trabalho tenho com fartura, emprego é que nem vê-lo.

Por cá vê-se também música ao vivo, acima de tudo música para entreter estrangeiros. Summer of 69, Are you gonna be my girl?, Born in the USA, Jason Mraz, essas coisas assim que toda a gente conhece para toda a gente estar entretida o suficiente. Por cá já se tentam fazer festivais mas ninguém aparece, ou melhor, dizem as agências noticiosas, que esteve fraco. Mas vê-se uma coisa muito interessante. Os bares, para chamarem gente põe raparigas e rapazes a angariar clientes. Andam na rua, oferecem flyers. Uma prática comum, toda a gente conhece, mas aqui, sítios que vivem destas épocas altas, não se poupam a esforços de ter mais e mais clientes. Ora bem, trabalhamos (eu e mais meia dúzia de malucos em Portugal) nesta área das artes e do entretenimento (julgo que não ofendo ninguém ao dizê-lo) e investe-se imenso na internet e sair à rua, onde estão as pessoas, faz-se pouco. As ruas estão cheias de ladrões, diz-se, e é preciso ter cuidado. Trancar as portas, olhar sempre por cima do ombro. Cá não há problema nenhum. Até se vê, nitidamente, pessoas que tentam esquemas, assaltos e essas coisas, mas são tudo coisas de menor importância, afinal estamos de férias.

Davide Lobão | www.myspace.com/chemicalwire

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