segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Sizo

São uma das bandas nacionais mais promissoras da actualidade e apesar dos tenros dois anos de existência, já não são uns meros desconhecidos, sendo inclusive das bandas com mais solicitações para concertos. E é aí mesmo – ao vivo – que os Sizo se sentem como peixes na água! É aí que mostram todo o potencial da banda, e se fundem com o som que fazem... O Marsupilami quis saber tudo isso e muito mais, e por essa mesma razão esteva à conversa com os Sizo! A conversa directa e sem "papas na língua", segue duas linhas abaixo...

Antes de mais, obrigado aos Sizo, por aceitarem responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.

Quando e como é que tudo começou? Qual era o objectivo quando decidiram formar os Sizo?

Olá e obrigado pelo convite. Os Sizo começaram em 2005. O objectivo era apenas fazer alguma coisa e não sabíamos muito bem o quê. Ainda agora não sabemos, mas já fazemos alguma coisa.

Lançaram há pouco tempo o vosso álbum de estreia “Nice To Miss You”, e colocaram-no on-line, disponível para todos aqueles que o quisessem ter. Têm alguma ideia de quantos download’s já fizeram ao vosso álbum?

Desde 15 de Julho até agora (Outubro) tivemos cerca de 1000 downloads. É bastante positivo, uma vez que dificilmente conseguiríamos estes números com o disco nas lojas.

Como tem sido o feedack quer por parte da imprensa, quer por parte do público em geral, a “Nice To Miss You”?

Há uma discrepância grande entre as reacções da imprensa e as reacções do público que gosta de música e que vai a concertos.
Os Sizo neste momento são uma banda completamente independente. Não temos editora, não temos manager, não temos ninguém a trabalhar por nós ou para nós, no entanto estamos constantemente a ser solicitados para concertos e quando lá chegamos as pessoas conhecem-nos e conhecem as músicas e as reacções são excelentes. Na imprensa estabelecida e impressa não saiu um único comentário ao nosso disco. Perante este cenário, questionamos várias vezes o que é a imprensa musical. Basta estar um bocadinho atento para perceber claras situações de compromisso entre jornalistas e editoras. Nada de surpreendente, mas o que acontece é que talvez gastem demasiada energia nas situações de compromisso e se esqueçam de fazer verdadeiro trabalho jornalístico.
É curioso sermos considerados uma banda revelação de 2007 e nenhum jornal escreve uma linha sobre o nosso disco.
O que é irónico é que neste momento conseguimos provar que os processos usuais estão desactualizados. Sem editora e sem ajuda da imprensa especializada, conseguimos dar concertos em todo o pais e com reacções sempre surpreendentes.
Seria injusto se não falássemos dos blogs nacionais, esses sim, fazem o verdadeiro trabalho jornalístico e falam do que está a acontecer. E aí tivemos vários blogs a falar do nosso trabalho. E finalmente respondendo à pergunta, o feedback tem sido positivo.

Onde vão buscar a inspiração para o vosso trabalho, as vossas músicas?

Nunca sabemos bem o que responder neste tipo de perguntas. As músicas surgem quase sempre na sala de ensaio com alguém a aparecer com uma ideia e daí parte-se para jam e às vezes a música já está feita sem nos apercebermos disso. Muita da inspiração vem das coisas que ouvimos, que pode ir de Marc Ribot até Sunn O))).

Como é que foi trabalhar com o vosso produtor, Jorge Coelho, que foi/é guitarrista de duas grandes bandas nacionais como os Zen e os Mesa?

O Jorge tem sido uma espécie de líder espiritual. Fazemos reuniões semanais nas quais ele nos dá ensinamentos sobre a lógica dos acordes mágicos e satânicos. Trabalhar com ele e com o Mário Pereira (gravação) em estúdio foi como uma espécie de ritual na busca do som imperfeito.

Têm sentido dificuldades na divulgação do vosso trabalho? E como o têm feito?

A maior dificuldade é não termos dinheiro para fazer uma edição física do disco. De resto, fizemos autocolantes com o endereço do site onde disponibilizámos o disco gratuitamente (http://www.deathtosizo.com/) e o maior meio de divulgação são os nossos concertos.

Têm usado a net como grande aliada nesse mesmo campo da divulgação. Continuarão a disponibilizar os vossos futuros trabalhos dessa forma, e qual a vossa opinião em relação á net vs música, e consequente partilha/pirataria que se vive hoje dia?

A internet tem-se revelado um grande aliado da música. Certamente num futuro trabalho vamos voltar a disponibilizar músicas para download gratuito.

Acham que existem locais em quantidade e qualidade suficientes para as bandas se mostrarem ao vivo, quer no Porto em particular quer no país em geral?

Já há sítios com condições para dar bons concertos, coisa que há 10 ou 15 anos era raro encontrar. No Porto em particular há cada vez mais locais com um palco para as bandas se mostrarem. Acho que começa a haver uma necessidade nos bares, de terem algo mais a mostrar. Já não chega um dj e copos e então nos últimos meses só ouço falar em bares que vão abrir com espaço para concertos e isso é bastante positivo. Pode ser que finalmente se crie uma cultura de sair para ver concertos de bandas novas, desconhecidas, projectos experimentais, etc.

Qual é a vossa opinião em relação ao actual panorama musical português?

Ao contrário do que tem sido dito nas rádios e na imprensa, não acho que o panorama musical português esteja assim tão rico como nos têm dito que está. Nos grandes nomes da música portuguesa actual não encontro um que goste. Temos os Da Weasel cada vez piores e sempre mais insuportáveis e são provavelmente a maior banda nacional do momento (projecto que a determinada altura podia-se ter tornado uma grande banda, com atitude).
Sinceramente acho que tudo se resume a marketing, e aí sim, finalmente a indústria musical portuguesa acordou para essa realidade e começou a embrulhar melhor os produtos, a fazer com que as bandas pareçam melhores do que o que na realidade são. Há melhores estúdios, melhores condições de gravação, e isso também ajuda a camuflar muita falta de criatividade. Se calhar há 15 ou 20 anos havia mais imaginação nas bandas portuguesas mas não havia indústria que a acompanhasse. Havia bandas a “mexer” como os Tina and the Top Ten, Cosmic City Blues, Mão Morta, Tédio Boys, Lulu Blind, Pop del’Art, até mesmo os GNR.
Acho que as coisas mais interessantes que tenho ouvido saídas do nosso pais são projectos descomprometidos e que surgem por pessoas que têm mesmo vontade de fazer. Ex: o Paulo Furtado e os seus projectos, Lobster, Dapunksportif, Tenaz, Feia Medroño, Linda Martini e também o trabalho da Lovers and Lollypops e da BorLand.

E sobre o estado geral em que se encontra o nosso país?

É sempre mais confortável dizer mal. Acho que como quase tudo em Portugal, o país não está nem bem nem mal, vai andando. É como o clima, ameno. Há uma sonolência generalizada. Há um primeiro-ministro demasiado parecido com Salazar, até na sexualidade aquilo é meio confuso. Como no futebol, Portugal é um país com potencial para chegar longe e vencer, mas inexplicavelmente nunca vence (excepto o Porto). Há, no nosso país, uma tendência perigosa para a lamúria, para a tristeza, para o fado. Para mim é a coisa mais infeliz que temos, logo depois vêm os Delfins e o Canto Gregoriano.

Com o vosso álbum editado, quais os próximos passos dos Sizo?

Não sabemos. Queremos tocar e fazer músicas novas. Queremos gravar no início de 2008. Queremos ir de barco a Badajoz.

Uma última pergunta, qual a vossa personagem de banda desenhada preferida?

Al di Meola

Curiosidade:

Porquê o nome Sizo?


Porque tínhamos mesmo que ter um nome.

Influências?

Subsídios.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Gregorian Monks Sing, Delfins e Da Weasel.

Todas as fotos por: Inês D'Orey

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