terça-feira, 30 de outubro de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Chemical Wire

A música é a verdadeira paixão dos Chemical Wire, e por isso mesmo eles não se contentam em ficar a tocar na garagem. A determinação e a vontade de quererem mostrar a todos o trabalho da banda é extremamente forte, e é dessa forma, aliada as suas canções que pretendem não deixar ninguém indiferente ao som dos Chemical Wire. O Marsupilami quis saber de onde vem toda essa determinação, e propôs-lhes uma conversa que aceitaram de imediato! A conversa aberta, sincera e divertida segue já de seguida...

Antes de mais obrigado aos Chemical Wire por aceitarem responder a algumas perguntas que vos gostaria de fazer. Obrigado.

Marsupilami (M) - Quando e como é que tudo começou?

Pedro (P) - Davide, penso que estas a vontade para responder a esta…

Davide (D) - Ora bem, isto vem de 1999, mas com os elementos que tem agora é 2002. O Rimm e mais dois amigos nossos tocavam juntos num projecto instrumental e em 2002 andavam atrás de um vocalista e eu entrei. O Pedro entra no fim desse ano, julgo eu.

P – Certíssimo!

D - Aí é que as coisas começaram a ficar mais sérias. Chamávamo-nos Wise Womb na altura. Ainda tocamos por aí em alguns sítios...

M - Nessa altura, qual era o objectivo? Havia alguma ideia pré definida?

D - Ora bem, havia o ponto comum - logo no principio - de fazer qualquer coisa na linha de Zen e Red Hot Chili Peppers, mas só porque eram as bandas que todos nós gostávamos. Mas o objectivo principal era fazer qualquer coisa que chegasse até às pessoas, e que fosse novo e diferente.

Rimm (R) - No início dos inícios não havia nenhum objectivo definido, tocávamos covers. Depois começamos a fazer originais e as coisas foram progressivamente tomando um rumo mais sério.

D - Ahhhh! (risos) Uma semana para preparar 10 temas! Foi giro, logo depois de eu entrar!

M - Começaram a dar concertos, gravaram uma demo... Como tem sido a reacção das pessoas que ouvem o vosso trabalho, as vossas músicas?

D - Nós percebemos cedo que era esse o processo, mas demorou tempo até conseguir chegar à consciência do que tínhamos que fazer. Já gravamos 2 demos e depois um EP. Só o EP foi editado em 2005 com o nome de Chemical Wire e as pessoas reagiram muito bem. Tocamos com bandas de metal, de hardcore, de emo, tudo e mais alguma coisa, fizemos muitos amigos, e muita gente se manifestou, felizmente, foi positivo!

M - Vem aí um novo trabalho vosso... Que podem adiantar sobre esse mesmo trabalho?

P - Ora bem, de facto este novo trabalho representa para nós um sonho, que de dia para dia estamos prestes a alcançar. Dessa forma, este trabalho pretende no fundo mostrar quem nós somos, o que fazemos, como nos exprimimos… Não sei se deva falar já em datas, pelo que virá outra pergunta mais especifica, mas podemos já adiantar qualquer coisa…

D - Dá-lhe! (risos)

P - Portanto a banda estava com a perspectiva de lançar o trabalho até ao final do ano, mas enfim, como estamos a ter dificuldades com a parte monetária e sem ela não há nada, estamos a por em causa a sua saída no prazo estabelecido. Mas uma coisa é certa: ou no final deste, ou no inicio do próximo ele esta cá fora, com ou sem apoios. Pronto, finalmente já me calei! (risos)

M - Pegando na questão dos apoios, e da questão monetária, depois do álbum lançado - e até mesmo antes - há a questão da divulgação dos Chemical Wire e do vosso trabalho. Como a pretendem fazer? Sentem que será uma fase difícil?

D - De facto! Um trabalho pode falhar por causa de fraca divulgação e este é o caso de 90% das bandas portuguesas, não há divulgação, não há exaustão nesse processo. Primeiro é preciso ter o trabalho feito (tudo por nós neste caso), depois de o termos feito temos inevitavelmente que o fazer chegar às pessoas. Em condições ideais há mecanismos que se accionam para que isso funcione, mas no nosso caso, na ausência de uma máquina que nos vá fazendo chegar aos ouvidos das pessoas, o disco pode falhar. É difícil, muito difícil. Repara: a rádio em Portugal - para uma banda como nós - são as rádios locais com programas de autor e Antena3 (passe a publicidade), sem o factor c, ou sem uma insistência de "chato", perdoa-me a expressão, não há maneira de nós avançarmos para uma playlist. Depois, o factor de não termos um som inserido numa moda, ou num movimento (o nosso respeito por todos) que possa ajudar nisso. Tem que ser a nosso custo completamente e não há-de falhar porque estamos determinados.

M - Acham que a net é um aliado poderoso nesse mesmo campo da divulgação? Até que ponto a iram usar?

P - Sem duvida a net é um grande aliado para qualquer banda com perspectivas de futuro.

R - A internet é o meio que possibilita a qualquer banda ser ouvida pelo globo inteiro!

P - De facto, a net no nosso caso é o nosso melhor aliado. Claro que à medida que ganhamos estrada conhecemos pessoas, momentos, mais valias, mas sem dúvida que a net é um grande aliado!

M - Será que poderá haver um álbum vosso totalmente disponível e de forma gratuita, via net?

P - Ora bem, cá está uma questão que ainda não colocamos a nós mesmos. Mas acho que seria possível, até porque ainda não discutimos sequer o preço a que será vendido…

D - Acho que a gente o vai disponibilizar em tudo quanto for lado!

R - Em principio quando o álbum estiver finalizado irá ser disponibilizado o download das musicas.

D - É uma questão de circulação de informação. Quanto mais depressa circular mais gente vai saber que existe. Não é por acaso que a maior parte das bandas disponibiliza os álbuns para audição completa no myspace. Falo de bandas como Queens Of The Stone Age ou Foo Fighters e por aí fora. A questão da pirataria é para nós algo em que não pensamos muito. Passem a palavra!

M - Que acham do actual panorama musical português?

P - Pois esta é das boas e podíamos estar toda a noite a falar desta questão…

D - É engraçado que quando nos fazem essa pergunta eu só me lembro de referir bandas como: Homem Mau, Blind Charge, Conceito:Pele, Sr. Acaso, Budhi, Slow Motion Beer Walk, Moe's Implosion, essas e mais uma mão cheia delas. São as únicas bandas que me dão mesmo vontade de ir ver concertos e ouvir música, isto falando no panorama português. O underground está tão forte que se alguém decidir pegar numa ponta, o consumo de música portuguesa dispara completamente. O problema é que se continua achar que o panorama é os mesmos de há 20 anos

M - Há muita banda boa desconhecida da maior parte das pessoas, esse é o grande mal...

D - Porque os mecanismos de promoção não funcionam. Uma porta ficou entreaberta quando apareceram os Linda Martini, os If Lucy Fell e os Vicious Five - são os 3 mais marcantes de 2006 acho eu - porque puseram as coisas a funcionar. Mas é algo frustrante ver que a máquina funciona tanto para coisas boas (julgo que estas que referi foram muito boas) como para coisas más…

M - E que acham do actual estado do nosso país, no geral?

D - A mentalidade precisa de mudar. As pessoas precisam de ser mais activas, não ter medo de mostrar a toda a gente as coisas que se fazem. É um processo lento e demorado, mas possível.

M - Onde vão buscar a inspiração para a composição do vosso som?

P – Bem, tomando a palavra, eu acho que de certa forma - e tornado o risco de parafrasear o Davide - acho que nos seguimos por uma máxima que se designa por "não ter medo de mostrar a toda a gente as coisas que nós fazemos”. Como resultanto surge um som enérgico não embutido em qualquer paradigma. A nossa maior influencia (penso que todos temos as nossas preferências e gostos, e ouvimos bastante musica de estilos variados) somos nós mesmos.

R - Uma das maiores fontes de inspiração é tudo aquilo que ouvimos, toda a informação musical que absorvemos e depois deitamos cá para fora à nossa maneira.

D - Isso mais as noites de copos, depois misturado igual a Chemical Wire!

M - Para além do lançamento do vosso trabalho, que mais os Chemical Wire nos iram mostrar num futuro próximo?

D - Temos previsto tocar muito, muito, e em todo o lado. Correr o mundo com a música mas é como tudo, quando nos deslocamos para algum lado temos que percorrer um caminho e nós vamos continuar a levar com tudo na cara mas sempre em frente!

P - Nada nos pára... Estamos aí para chatear as pessoas ate que nos prestem a atenção!

D - Depois se não gostarem paciência… (risos)

Curiosidades:

M - Porque o nome Chemical Wire?

P - Dave tu é que sabes isso direitinho! (risos)

D – (risos) Vou improvisar, no Freestyle! A química que temos os 3 a tocar está ligada por um fio qualquer que nós não sabemos explicar o que é… Sente-se!

R - Como alguém disse uma vez, existe um intercambio de energias…

D – Exacto! Energias… (risos)

M - Influencias?

D - Essa é difícil. Zen, Biffy Clyro, Radiohead, Glassjaw, assim 4 de cada vez não dói. (risos) Depende da altura (desculpa, agora estou a ouvir Metallica)!

P - Pois deixa lá ver… Red Hot Chili Peppers (para mim a melhor banda de sempre), Jamiroquai, Zen… No meu caso tudo o que meta funk, e claro que lá esta como o Davide disse, estamos sempre a ouvir coisas diferentes. Estas são só algumas que nos marcam de forma mais afincada.

R - Zen, Red Hot Chili Peppers, A Perfect Circle, Biffy Clyro, Slipknot, Led Zeppelin…

M - Bandas nacionais que têm ouvido?

D – Budhi, Moe’s Implosion...

R - Eu ando a ouvir Homem Mau.

P - Zen, Buhdi, Ornatos Violeta, Gonçalo Pereira (não sei se posso considera-lo com os normais parâmetros de banda), Moe’s Implosion, André Indiana, Linda Martini, Wraygun…

D - Homem Mau oiço também muito frequentemente, Conceito Pele, Jorge Cruz, há mais algumas mas ultimamente tenho cascado noutras coisas.

M - E agora, a ultima das ultimas, e a mais espectacular de todas: qual a vossa personagem de banda desenhada preferida? (risos)

D – (risos) É talvez o Cascão! (risos)

R - Pato Donald! O Pato Donald é o maior!

P - É pah… Estou aquii com um dilema… Sinceramente banda desenhada nunca foi alvo da minha curiosidade. Algo estranho pois estou ligado ás artes mas.... ninguém é perfeito. (risos) Mas talvez o Tio Patinhas!

D - Forreta! (risos)

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