segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Blasted Mechanism

Que haverá mais a dizer sobre os senhores que se seguem? Os Blasted Mechanism são, na minha opinião e provavelmente na opinião de muito boa gente, uma das bandas mais originais que o nosso país conheceu na última década. Foram, e são – e espero que por muito mais tempo – uma mais valia da nossa música, e um exemplo a seguir! O Marsupilami quis saber um pouco mais sobre o planeta Blasted, o que é muito complicado, no entanto teve o privilégio de falar com o baixista da banda, o grande Ary! A conversa segue já de seguida...

Antes de mais, obrigado ao Ary e aos Blasted Mechanism, por aceitarem responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.

No início, quando decidiram formar os Blasted Mechanism, qual era o objectivo? Tinham já alguma ideia do que queriam fazer?

O nome Blasted Mechanism vem “importado” de outros tempos em que o género musical era outro e as tendências também, mas a partir de um certo momento com a edição de autor do primeiro single, o objectivo tornou-se claro: fazer algo que não existisse ou aglomerar coisas que já existem há muito tempo, mistura-las e condimenta-las.

O som que pretendiam na altura é o que fazem agora, ou as coisas foram surgindo com o tempo?

Como podes imaginar em meados dos anos 90 as coisas eram diferentes do que são hoje e claro que a aprendizagem faz-nos evoluir ou “involuir” dependendo do ponto de vista... De toda a forma o que sempre pretendemos não foi uma forma, mas sim um estado de espírito que ainda se mantêm.

Como funciona a composição das músicas dos Blasted Mechanism? Ainda se juntam, e tocam como uma banda de rock, e surge aí a base das vossas músicas, ou é um processo mais individual?

Em termos de composição os temas nascem de sessões de estúdio entre alguns de nós que depois, levamos para o seio da banda e são de novo arranjados nesse domínio.


Já ouviram inúmeras vezes isto, mas vocês são dos projectos mais originais dos últimos tempos. Dá a sensação até, que vocês vivem num mundo muito próprio! Sentem isso?

Sentimos que vivemos um sonho e como tal, cada um tem os seus sonhos, e nesse sentido talvez se possa dizer que é um mundo muito próprio.

Em relação ao dialecto criado por vocês, como surgiu a ideia de o criar?

Surgiu numa garagem em Linda-a-Velha quando alguém se insurgiu contra o inglês e na altura saiu um conjunto de fonemas que mais tarde iriam ser uma das bandeiras dos Blasted.

Sentiram em algum momento da vossa carreira, dificuldade em divulgar o vosso trabalho? E como têm feito essa divulgação?

A nossa carreira foi feita a pulso porque nem sempre fomos levados a serio, e como não nos enquadramos em nenhum estilo especifico tornou ainda mais difícil descobrir por onde chegar ás pessoas, mas chegamos com os espectáculos e com muito amor.


Sei que têm apostado também na internacionalização. Como tem decorrido esse processo, e o feedback tem sido bom?

Tem corrido optimamente! Já temos seguidores na Alemanha, em Itália, em Espanha e mais alguns países, mas como escrevi anteriormente, tal como em Portugal também no estrangeiro as coisas correm com calma e leva o seu tempo até as pessoas do ramo perceberem o que é Blasted, mas está a acontecer.

A net cada vez mais tem um papel crucial no campo da divulgação. No vosso último álbum, “Sounds of Light” não descuram isso mesmo. Qual é a vossa opinião relativamente aos programas P2P e consequente pirataria/partilha via net que se vive hoje em dia? Que benefícios ou prejuízos poderá trazer para uma banda como os Blasted Mechanism?

Para os Blasted a pirataria é como uma faca de dois gumes, por um lado a nossa musica chega a um número muito maior de pessoas, por outro lado perdemos a referência da real dimensão da banda uma vez que o numero de vendas deixa de ser uma referência nesse sentido. Existe um problema em relação à pirataria que é as pessoas não consumirem o álbum, apenas consomem temas e regra geral os singles o que vai mais tarde ou mais cedo revolucionar a industria. As bandas vão deixar de fazer discos... Vai ser pior? Vai ser melhor? Diferente concerteza.

Na vossa opinião, o mundo da música mudou muito desde a vossa formação, ou seja desde 1995?

Estamos a meio de uma das maiores transformações no ramo. As editoras grandes estão a falir, a venda de música esta a deixar de ter significado comercial ou seja a musica já e de graça neste momento, está tudo desencaixado. É caso para dizer: we are facing a blasted mechanism....

Que acham do actual estado do nosso país, quer a nível político-social, quer a nível musical?

Portugal é lindo...

Neste momento, que mais podemos esperar dos Blasted Mechanism? Quais os vossos próximos passos?

Estamos a preparar o próximo espectáculo, estamos na estrada a apresentar este álbum, e pró ano vamos dar mais umas voltinhas pela Europa, uma vez que este ano estamos por cá mesmo.

Curiosidades:

Como surgiu o nome Blasted Mechanism?

Está perdido nos anais do tempo.

A formação dos Blasted Mechanism foi sempre a mesma?

Não. Sofreu muitas mutações ao longo dos anos.

Influências?

Uns aos outros.

Existe algum tipo de dicionário do vosso dialecto?

Não mas talvez ainda possa vir a existir.

Qual ou quais os concertos mais marcantes dos Blasted Mechanism?

Todos.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Isso tinhas que perguntar um a um.

Qual a personagem de banda desenhada preferida?

Igual à anterior.

Myspace dos Blasted Mechanism
Sítio dos Blasted