quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OBSESSIVIDADE INTERMITENTE | 10

logoOBI[3][4][4]Intermitente vontade de querer ser.

Nós sabemos dos outros, sabemos sempre dos outros, pensamos sempre dos outros, mas de nós muito pouco. Ninguém se lembra do tão pouco que fez quando mais foi preciso. Bom, desfigurações à parte. Um destes dias conheci a música dos Lua Cadillac. Apetecia-me refazer um texto que cá publiquei há uns tempos. Mas que bandão! Pena é que ninguém veja. Bom, acredito que já alguns tenham visto, mas se calhar é muito rock para a Universal e para a EMI, quer dizer, entenda-se, rock em português é sempre igual aos Ornatos. Vou só torcer um bocado a cara. Porra! Desde quando é que cantar em português soa sempre a Ornatos? Ok. Há bastantes por aí que não têm ainda direcção musical ou de vontade, que lhes diga qual a direcção que têm ou devem ou querem tomar, na sua música, mas muitos há que lá vão. Eu não sei, é que, não querendo repetir-me, lembro-me de há uns anos ter aparecido uma banda chamada Blind Zero... Espera, essa não vale, soava a Pearl Jam e Pearl Jam, mesmo quando imitado, deve soar bem... Hmmm... Bom senso, por favor. Ok, não vou partir aqui facções. Tenho bons amigos que possivelmente discordariam comigo, mas alguém consegue perceber onde quero chegar? Os Toranja (banda da qual até gosto), quando aparecem, nota-se uma clara influência e até necessidade de referência ao Jorge Palma. Métrica, composição, melodicamente falando, não? Julgo que não cometo nenhum crime ao dizer que aquilo era uma cópia, em algumas alturas, mas é isso mesmo que uma banda faz, procura. Até mesmo quando tiveram o êxito que foi “A Carta”. Nunca ninguém reparou que aquilo tem a métrica e os acordes de uma música dos Mamonas Assassinas? A minha batalha agora é no onde é que isto está certo e onde é que isto está errado. Por um lado, uma banda que procurava uma sonoridade conseguiu um contrato com a Universal (se não me falha a memória), tocou em tudo que era festival quando lançou o primeiro disco, teve concertos com 10 pessoas a ver até quando já tinham lançado o segundo disco e andam banda aí, como os Lua Cadillac, com algo novo e interessantíssimo que não têm essa oportunidade. Ora bem, isto é a título de exemplo. Nesta altura já nem pode ser dor de cotovelo por eles terem conseguido e eu não, é apenas uma constatação, certa, meus caros? Os Homem Mau, muito estimados amigos, editaram a semana passada o seu primeiro álbum, sozinhos, sem a ajuda de ninguém. Tocam para 10 pessoas muitas vezes... São inacreditáveis, uma banda como eu nunca vi igual aqui em Portugal, por muito que goste de Ornatos e de Zen e de todas as bandas que muito nos fazem sonhar no seu regresso, vejo coisas novas que ainda me fazem sonhar com a esperança de haver quem realmente ame de verdade. Sim, porque é como a crise mundial do casamento e consequente divórcio: nem todos têm de se divorciar, mas tende a aumentar isto.

Domingo, véspera de feriado, apresentação do álbum de Homem Mau no Plano B, Porto.

Davide Lobão | www.myspace.com/chemicalwire

1 comentário:

António Conceição disse...

Que grande artigo! Que, grande, artigo!
Mais palavras, seriam, uma, mancha, no, elogio.,,..,.,..,.,...,,.,.,...,,,,.. Tiro o chapéu!