quinta-feira, 4 de junho de 2009

Obsessividade Intermitente | 3

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Toda a gente tem uma preocupação genuína sobre alguma coisa. Alguma coisa circula a uma velocidade surpreendente para todo o lado. Ninguém consegue preocupar-se com nada durante mais de cinco minutos. Todos se preocupam com tudo, consigo mesmo. Ninguém se preocupa com nada. Senão com a sua concretização pessoal.

É, este mundo confunde-me. Querer fazer algo realmente bom é por vezes uma tarefa bastante ingrata, mesmo quando se faz um trabalho bom há já algum tempo. Não adianta. O que adianta é exigir e partir cada coisa que não é do nosso agrado.

No mundo existem milhões de coisas, milhões que conhecemos outras que não conhecemos e que fazemos com elas todas? Alguém sabe?

Eu toco guitarra, tenho a minha banda, sei das preocupações de conseguir ter este emprego que tanto quero, este trabalho que tanto quero, fazer música, mas existem milhões de coisas, milhões de coisas que desconhecemos. Eu canto as coisas que estão mal, canto aquelas que estão mal só comigo ou só contigo e no fim tenho que enrolar o cabo e carregar a coluna para todo lado, para dizer outra vez aquilo que penso. Porque haveria de alguém se interessar por aquilo que penso? Se o outro for influente ou o outro tiver dinheiro ou esse que tenha dinheiro se interessar por mim, girarei em torno do mundo por todos me acharem o máximo. Por esta conclusão admiro os movimentos. Admiro o hardcore até ao fim. Há união, há vontade, há motivos e há sempre, sempre entreajuda. No resto? Apontamos os defeitos e deitamos abaixo. Não que os apoiantes do hardcore não o façam e não que eu seja um conhecedor e seguidor do género, mas admiro.

Existem estas quatro ou cinco coisas que eu sei, alguém quer saber delas?

Fiz o país, o nosso minúsculo mas lindíssimo país, a tocar aquilo que gosto. Não chegou. Já sei do muito que há e do pouco que temos mas não chegou. Há mais. Podemos sair fronteira fora, ver o que demais aí temos para comunicar. Podemos entrar fronteiras dentro gritar, berrar e fazer o barulho todo que nos apetecer. Organizar grandes coisas, fazer grandes coisas da vida. Deixar o diletante que o Eça tanto disse e partir para conquistar, conquistar os bons motivos, conquistar as vontades, conquistar aquilo que há tanto perdemos em nós, as crenças e as certezas de que iremos fazer algo bom. E isto só é sobre Portugal porque é aqui que eu vivo, porque na sua essência, é sobre a humanidade.

Davide Lobão | www.myspace.com/chemicalwire

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