quinta-feira, 7 de maio de 2009

Obsessividade Intermitente | 1

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Dizem que o problema é começar, depois de começar a coisa lá vai. Ora bem, começar a acreditar talvez seja uma coisa que não nos é muito inata mas, desde sempre nos incutem a religião, porque não acreditar em alguma coisa? Portugal não continua à espera de D. Sebastião, não continua à espera que façam coisas por ele, nós deitamos mãos à obra. Finalmente percebeu-se que a música é mais do que o que se ouve na rádio ou se vê na MTV e finalmente percebeu-se que são tudo coisas que estão ao alcance de todos. Fico feliz por ver e ouvir as novidades e as interessantes propostas que viajam por todo o país, fico entusiasmado com a Optimusdiscos, com os festivais que se multiplicam e as pessoas que tentam organizar eventos para durar e vingar, sim, hoje estou optimista. Já conseguimos dizer uns dez nomes de bandas novas que têm discos, que tocam por aí e que tentam provar que a música vale sempre por ela própria, não pelo idioma em que é cantada, pelo estilo em que se insere nem pela editora que tem e, embora ainda muito dependa do factor cunha, extremamente importante num meio tão minúsculo como o nosso, é possível chegar lá por persistência e crença desmedida. Claro, não está ao alcance de todos, mas se pensarmos que o nosso país tem a mesma população de Londres talvez consigamos chegar algum lado. Todos os dias, na rádio, aparecem novas vozes que tentam furar neste meio musical, vozes essas que não se podem esquecer que moram no quarto ao lado do mercado internacional. Enviem os cds para as editoras estrangeiras. Já temos hoje, mais que em qualquer outra altura, bandas portuguesas que assinaram por editoras espanholas, inglesas, alemãs, que tocam pela Europa fora e se igualam a qualquer outra banda que venda ou, não se aplicando este termo, que seja muito popular no mundo todo. Portanto apague-se o estigma.

Só estou cansado dos jogos viciados, das promotoras dos pacotes, que levam as bandas atreladas umas às outras. Estou cansado das quotas de rádio que fazem que se ouça sempre as mesmas músicas e estou cansado das bandas que se querem enfiar na rádio porque sim. O espaço abre-se, não existe. E é esse espaço que temos que continuar abrir, com todas as nossas forças, dia após dia, com a liberdade de expressão, com os berros exagerados de uma revolta incansável, contra tudo e contra todos. Sair à noite, beber um copo, trocar uma canção, só porque podemos. Ver um concerto, embebedarmo-nos e rirmos sem parar até o sol nascer no horizonte. É um dia novo que está a nascer para todos.

Davide Lobão | www.myspace.com/davidelobao

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