segunda-feira, 28 de julho de 2008

Na Grafonola do Marsupilami | The Guys From The Caravan

O Marsupilami propôs uma conversa, eles aceitaram mas com uma condição: teria de ser na Caravana deles. Prontamente concordei e rápidamente me instalei confortavelmente na Caravana. A chave foi posta na ignição, foi rodada, o som inconfundível da Caravana começa a soar e dá-se início à viagem. Uma viagem à descoberta de novas ideias, conversas interessantes, paladares diferentes, e, como é óbvio, sons mágicos. Para saber um pouco mais sobre esta viagem, sobre os The Guys e a respectiva Caravana, é só ler a história que está apenas a duas linhas de distância...

TGFTC01 Quem sãos os The Guys From The Caravan?

Os The Guys from the Caravan eram dois que passaram a quatro. Viagens a dois podem tornar-se bastante aborrecidas porque há sempre um que tem que ir a conduzir. Encontramos dois pelo caminho que pareciam ser boa (ou então não) companhia e pronto... as viagens passaram a ser um pouco mais animadas. No que toca às personalidades, os The Guys... são uma banda que procura ver e sentir coisas novas e falar sobre elas. Daí a ideia da Caravana que facilmente nos leva a qualquer lado para vermos o que se passa por aí, ouvir as histórias dos outros, das vidas alheias!

Quando e como é que tudo começou? E qual era o objectivo na altura?

Acho que não será bem a ideia de termos começado, mas antes de termos tomado consciência do que estávamos e tínhamos vindo a fazer desde quase sempre: escrever músicas... A Caravana começou a ser apetrechada há cerca de um ano e meio, começámos a comprar alguns mantimentos, gastámos um dinheirão em recauchutagem, alinhar a direcção... essas coisas... Fizemo-nos à estrada três meses depois, apenas com duas músicas escritas e produzidas, e outras duas a caminho... Portanto, mesmo aí ainda não sabíamos em que direcção estavamos a ir... Quando acabámos o nosso EP, que tinha sido todo gravado nas condições mais caseiras que se podem imaginar, não sabíamos o que fazer com aquilo. Mas gostávamos do que ouvíamos e pensámos logo que para nos divertirmos à brava, com as actuações ao vivo, tínhamos que arranjar mais dois elementos para a Caravana. Nunca nos passou pela cabeça que o nosso EP viria a ser tão bem recebido e transmitido numa rádio nacional. Isso obrigou-nos a estabelecer objectivos... Um deles foi a edição do EP que acabou por ser pela Net Label Rasarte. Depois disso, juntar os nossos improvisos, fazer um alinhamento mais vasto e lançarmo-nos para o álbum. E assim foi... Tivemos a sorte de trabalhar com o Flak, com o Tiago Lopes e com o Cajó. Ainda fomos agraciados com as participações do João Aibéo e o Gonçalo Galvão da Orquestra Metropolitana de Lisboa que deram aquela cor que procurávamos para alguns temas do álbum.

Sobre a vossa música, que rotulam como rocklor, que querem transmitir com ela?

O rótulo Rocklor foi uma brincadeira que acabou por pegar. Nós estamos sempre a fazer piadas com tudo, inventar palavras para descrever coisas que nem sempre têm adjectivos suficientes para serem descritas... enfim, aquelas piadas que se fazem durante a viagem quando não se tem nada mais interessante para fazer. Com a nossa música queremos e tentamos transmitir a ideia de que a vida não é suposta ser simples, vamos rir com isso, com as nossas desgraças e desgraças alheias. Portanto, no fundo tentamos ser introspectivos acerca de alguns temas com os quais nos cruzamos no quotidiano mas tirar um lado depressivo que isso possa representar. Nós tentamos fazer este exercício, se temos sucesso? Isso já não sei. Mas divertimo-nos imenso.

Onde se inspiram os The Guys...?

Como já referi inspiramo-nos em situações prosaicas do dia a dia. Aquelas coisas que já aconteceram, estão a acontecer ou podem vir a acontecer a qualquer um. Inspiramo-nos na ideia de viagem, pequenas vilas e na mulher mais bonita da aldeia. Amores correspondidos, não correspondidos, infidelidades, tempestades interiores... tudo aquilo que está ao nosso alcance e dê uma boa história, nós agarramos.

TGFTC02Vocês lançaram no ano transacto um EP de quatro temas, e desde esse trabalho que a Caravana começa a encher-se cada vez mais de pessoas que querem ouvir o que se passa lá dentro. É impressão minha, ou é isso mesmo que está a acontecer?

Nenhum de nós estava à espera que o EP fosse resultar... aquilo era mais uma referência para nós nos orientarmos. O EP acabou por ir parar a alguns sítios que nos deram logo um feedback positivo e pronto... decidimos remisturar os temas, dar-lhe um pouco mais de cor e promovê-lo. Na Caravana há sempre espaço para mais um, todos os que vierem terão um canto para descansar, exorcizar demónios e quem sabe isso não resulte numa música! Mas sim, estamos contentes com o percurso que temos estado a fazer. Evitamos auto-estradas e apreciamos paisagens.

Vocês têm sentido dificuldade em divulgar a vossa música? E como o têm feito?

Não sentimos muitas dificuldade em divulgar a nossa música... temos consciência que em certos meios de difusão é mais complicado, talvez pelo género que fazemos, se calhar a nossa onda não é bem aquilo que esses meios querem... Mas na verdade não nos podemos queixar. Tudo o que temos conseguido fazer para divulgar tem acontecido por sintonia imediata pelas pessoas que nos divulgam. Temos sido ajudados por verdadeiros embaixadores da música em Portugal. É incrível a capacidade que essas pessoas têm para assumir o risco de pôr num programa de rádio uma banda completamente desconhecida. Na net temos o papel crucial do myspace e dos blogs de música que são cada vez mais importantes porque são espaços que têm um público, tem uma clientela fixa. O nosso método de divulgação é basicamente myspace e a nossa mailing list para a qual volta e meia debitamos SPAM.

Qual a vossa opinião em relação à influência que a net tem tido sobre a música, hoje em dia? Acham que poderá trazer mais vantagens ou mais desvantagens para uma banda como os The Guys From The Caravan?

A net pôs nas mãos dos criadores de música, por exemplo, a capacidade de auto-promoção. Há um intermediário que foi anulado, menos um obstáculo. O facto de não haver filtros é muito importante porque desde sempre houve música que não se ouviu porque houve alguém que naquele dia estava mal disposto e pronto... ficou por ali. Com a internet as coisas já não estão tão dependentes de uma agente, manager ou editora. Faz jus à expressão: Power to the people!

A nível de concertos, acham que existem locais suficientes no nosso país, quer em quantidade quer em qualidade, para uma banda como os the Guys... se mostrarem ao vivo?

Existem muitos locais e o que existe ainda mais é a boa vontade das pessoas. Já demos concertos brutais que aconteceram pela vontade de trazer uma banda aquele sítio. Se não existisse essa boa vontade, o concerto não teria acontecido e perdíamos um bom momento. A falta de condições que podem existir tem a ver com a falta de capacidade de investimento, pelo simples facto de que não há mesmo dinheiro suficiente para concretizar todos os nossos sonhos e vontades. Nós percebemos isso sempre que discutimos sobre um contrato e temos isso sempre em conta.

Que acham do actual panorama musical português?

O panorama está felizmente muito optimista. A compilação da Fnac parece-me ser um bom indicador do bem-estar musical que temos. Ficamos muito contentes com o convite do Henrique Amaro para integrarmos uma compilação com bandas que gostamos muitos e que têm um grande valor.

E do estado geral do país?

O estado geral do país é o contra peso... A música (à excepção da música clássica de elite) é completamente negligenciada pelo Ministério da Cultura. Temos grandes músicos e grandes bandas em Portugal e além de não existirem incentivos à criação (seja pelo preço do material de música ou mesmo apoio à formação) ainda temos cds a preços altíssimos graças aos impostos que são aplicados. Não existe estratégia para desenvolver um sector que pode ter um retorno económico mais substancial. O mesmo se poderá dizer relativamente a políticas de exportação de artistas pelo mundo. Parece-me que tudo o que se tem conseguido tem sido pela mão dos próprios artistas, agentes e editoras. A acção pública neste campo não existe. E é uma pena pois mais uma vez, Portugal parece-me ser dos únicos países a não fazer uma estratégia no âmbito do desenvolvimento da música enquanto actividade criativa.

Sei que vão lançar no Outono o vosso álbum de estreia, alguma novidade que possam adiantar?

Para já estamos apenas a preparar pormenores. Estamos a preparar o vídeo do single e outras coisas que para já não podemos adiantar...

TGFTC03 E o que se segue num futuro próximo?

Num futuro próximo... Estamos a preparar os novos temas para um segundo álbum e estamos a adorar explorar a nossa sonoridade de outra forma. Procurar novos carreiros, influências. Mas para já temos como objectivo promover o álbum que vai sair e continuar a compor para o segundo que há-de vir.

Uma última pergunta: qual a vossa personagem preferida de banda desenhada?

Lucky Luke e Bugs Bunny.

Curiosidades:

Porquê o nome The Guys From The Caravan?

Achamos que a história associada ao tema Guy from the Caravan traduzia bem a nossa postura enquanto Guys from the Caravan.

Como surgiu a ideia das personagens ilustradas que acabam por representar os The Guys From The Caravan?

Um caminho que nós achamos engraçado foi o da ilustração e tivemos a sorte de ter caído nas graças do grande amigo e grande criativo, que é também um tripulante da caravana, o Daniel Barradas. Nós falamos com ele naquela altura em que ainda não faziamos ideia do que se iria passar e o trabalho dele gerou uma dose ainda maior de inspirição. Os personagens ilustrados começaram eles a contar uma história igual à nossa e isso tornou muito mais coerente e sólido. Evitamos ter fotos de concertos e tudo o que remeta para fora daquele ambiente porque é assim que nós preferimos que a nossa música seja vivida.

Influências?

Muitas mesmo... o melhor é ouvir e identificá-las.

Bandas nacionais que têm ouvido?

Rádio Macau, Wraygunn, Pontos Negros, Peixe:Avião, Jorge Palma e outras...

Myspace dos The Guys From The Caravan

Sítio dos The Guys From The Caravan

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