terça-feira, 11 de março de 2008

Na Grafonola do Marsupilami | The Aster

Os The Aster chegam-nos da Grande Lisboa, e acabam de lançar o aguardado álbum de estreia, intitulado "Save The Drama". A expectativa em relação ao álbum era grande mas não saiu defraudada, bem pelo contrário, já que estamos na presença de um álbum poderoso. O Marsupilami há muito que tem estado atento a este projecto, e "Save The Drama", acabou por ser o pretexto para uma conversa com Miguel, voz e guitarra dos The Aster. A conversa, podem a ler, duas linhas abaixo...
Antes de mais, obrigado aos The Aster por aceitarem responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.
001Quem são os The Aster? 
O Miguel (voz/guitarra), o Ricardo (guitarra/voz), o Simão (bateria) e o David (baixo/voz).
Quando e como é que tudo começou? Qual era o objectivo na altura da formação?
Começamos no final do Verão de 2004. Eu (Miguel) e o Ricardo tínhamos uma outra banda, os fewdaysleft, mas na altura sentimos que queríamos ir um pouco mais além, abraçar um projecto mais desafiante, com um conceito tanto mais ambicioso. Não podemos dizer que alguma vez tenha mudado o facto de fazermos isto por ser uma dascoisas que mais prazer nos dá, mas penso que a partir de então começamos a sentir que , para viver toda essa mesma experiência mais intensamente, teríamos que dar o nosso melhor e investir muito mais na nossa música.
Vocês acabam de lançar o vosso álbum de estreia, “Save The Drama”. Que significado teve para vocês a gravação deste álbum?
São 4 anos de trabalho árduo, muito sacrifício e dedicação. Foi uma longa estrada até aqui e a sensação que nos dá é que estamos a parar 5 minutos na primeira estação de serviço! Sentimos ao mesmo tempo realização misturada com uma enorme motivação para continuar. O lançamento deu-nos a sensação de objectivo cumprido, mas também nos lembra de todos os altos e baixos do seu processo, que ficarão para sempre marcados na nossa memória. Posso assumir que foi uma experiência muito emocional, que envolveu uma componente humana muito forte e que dependeu não só dos membros da banda, como de imensa gente que acreditou em nós.
Antes mesmo do lançamento, já rodava numa das principais rádios nacionais, o single de  apresentação “Pirates Of Insomnia”, e acabam também de dar o concerto de  lançamento do vosso álbum. Como é que tem sido a reacção das pessoas, quer no concerto, quer em relação aquelas que ouvem a vossa música na rádio?
Segundo nos têm transmitido, a reacção à "pirates of insomnia" tem sido bastante positiva. Entrámos na grelha a título experimental e neste momento estamos em airplay dito "normal" junto de outros grandes nomes da música nacional e internacional, o que nos deixa bastante contentes, sabendo que é a voz dos ouvintes que decide a rotação da música. Em relação ao concerto de apresentação, só tenho a dizer que quem não foi não sabe o que perdeu! Foi uma noite memorável na companhia de cerca de 400 pessoas, uma grande vibe no ar, muita diversão e muitos amigos por perto. A presença e o apoio de várias entidades e também das duas grandes bandas de abertura (Triplet e Skalibans) ajudaram a que o espectáculo fosse um sucesso e, no que toca a esse aspecto, estamos muito felizes pela grande festa que foi.
Que querem transmitir com o vosso som, a vossa música, e em particular com “Save The Drama”?
Aquilo que o rock n' roll tem de especial é o espaço que dá à liberdade criativa. Para nós, o rock é aquilo que procuramos muitas vezes para fugir a uma realidade menos agradável ou monótona. Quando viajas pela cidade com os phones nos ouvidos, quando vais para o trabalho com o rádio ligado ou quando sais à noite para te divertires num concerto, aquilo que queres fazer é poupar a tua alma dos dramas do dia-a-dia e criar uma realidade alternativa com a tua música. Não é por nada que tanto o rock como o teatro envolvem um palco, uma plateia e um espectáculo, e foi essa analogia que achámos interessante explorar. O "Save The Drama", para além de ser um autêntico triângulo amoroso entre ritmos punk, vocalizações soul e sensibilidade pop, passando pelo electro e pela influência dos grandes clássicos do rock, é também um desafio da realidade à imaginação e à criatividade, recorrendo à ironia, à ficção e à sensualidade. Porém, a intensidade da nossa música e do nosso conceito de nada servem se não forem postas em forma de espectáculo. É por isso que a "Save The Drama Tour" vai percorrer Portugal de Norte a Sul durante os próximos meses, o convite fica feito.
002Qual é vossa opinião em relação ao actual panorama musical, e para ser mais preciso, na relação net vs música? Acham que a net poderá ajudar mais, ou prejudicar mais uma banda como os The Aster?
É uma faca de dois gumes. O panorama está a melhorar, pois cada vez há mais talento, mas ainda não se avistam as mínimas condições para se praticar música profissional em Portugal. A Internet ajuda e/ou destrói, dado o seu carácter virtual e imprevisível. Não nos podemos esquecer de que há casos de grande sucesso hoje em dia devido à força da internet, mas também há outros em que foi "the Internet killed the radio star", por isso é preciso algum equilíbrio. No nosso patamar, a Internet têm-nos ajudado imenso, mas continuamos a depender e a preferir de longe as vias humanas e palpáveis. Foram sempre as acções de pessoas reais na vida real que mais diferença fizeram por nós, mas também é verdade que muitas delas partiram de um e-mail.
Acham, por exemplo, que poderiam editar um álbum totalmente gratuito, via net?
Uma banda como os Radiohead pode fazê-lo perfeitamente, pois estão estabelecidos na cena musical mundial e podem confiar em fãs e seguidores e rebelar-se contra a indústria musical. A verdade é essa atitude tanto tem de bom como de mau, pois para uma banda que nasceu e cresceu antes da Idade do Download, hoje em dia têm o espaço para agir com mais "liberdade" no que toca a esse aspecto. Porém, para inúmeras bandas novas em todo o mundo, especialmente em países com uma estrutura muito deficitária como Portugal, pode gerar ainda mais inércia por parte do consumidor de música, do género "se dou o dinheiro que quero pelos Radiohead, porque é que daria seja o que for por uma banda nova?" A maioria das pessoas não faz ideia do quão difícil é criar e desenvolver um projecto musical de qualidade e infelizmente, dos rios de dinheiro que se gastam até se conseguir o mínimo de retorno. Há ainda as vendas de merchandise ou os espectáculos ao vivo, mas mesmo isso para uma jóvem banda não é assim tão rentável. Por isso, por mais que seja inevitável o download, penso que para uma banda em início de carreira como The Aster, editar um álbum gratuito via Internet poderia comprometer seriamente a sua longevidade.
A nível de concertos, acham que exsite em Portugal, quer em quantidade quer em qualidade, locais suficientes para uma banda como os The Aster se apresentar ao vivo?
Infelizmente, não.
Que acham do actual panorama musica português?
Imenso talento por metro quadrado, condições lamentáveis e poucos sinais de melhora a nível estrutural.
E do actual estado do nosso país em geral?
Curiosamente, acho que conseguiria responder a esta pergunta com a resposta anterior.
003E agora, qual o futuro dos The Aster?
Para já, estamos no início da tour de promoção do nosso álbum (confiram as datas em www.myspace.com/theaster), que apesar de neste momento contar com mais de 20 espectáculos por todo o país até ao mês de Maio, está ainda em aberta e será prolongada pelo Verão a dentro. Entretanto, iremos rodar o nosso videoclip de estreia para a "Pirates Of Insomnia" e preparar algumas surpresas pelo caminho.
Uma última pergunta: qual a vossa personagem preferida de banda desenhada?
Como sou apenas eu que estou a responder à entrevista, diria um estranho empate técnico entre o Batman e o Mickey, mas julgo que o resto da banda diria os Pequenos Poneis e os Ursinhos Carinhosos.
Curiosidades:
Porquê o nome The Aster?
Estava a ler um livro e a palavra "aster" apareceu-me à frente dos olhos. Fui procurar o significado e achei interessante a variedade de significados que poderia ter. A piada do nome é justamente essa. Tal como eu não sabia, muitos outros não o sabem e ora me perguntam pelo significado ora vão procurar e tiram as suas próprias elações. No fundo, é apenas um nome.
Influências?
Ouvimos vários estilos mesmo. Hoje em dia, cada um de nós tem gostos muito particulares e julgo que isso enriquece imenso a nossa abertura criativa. Porém, viemos todos de uma base rock/punk rock, todos assimilamos as grandes lições de nomes como The Police, Beatles, The Cure ou Queen, crescemos a ouvir bandas como Blink 182, Millencolin e estamos atentos ao panorama actual, com nomes como Fall Out Boy, Taking Back Sunday, Panic!At The Disco Bloc Party e The Killers. Pessoalmente, ando apaixonado pela Amy Winehouse ultimamente!
Bandas nacionais que têm ouvido?
Grandes bandas amigas: Triplet, Easyway, Skalibans, Fiona at Forty, Unfair, etc. Há muito talento a ser explorado em Portugal, para lá daquilo que passa na televisão actualmente. No pan orama "mainstream" português, as opiniões dividem-se entre David Fonseca, Ala dos Namorados, Mind Da Gap e Susana Félix!!

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