segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Hanging By A Name

Os Hanging By A Name são um projecto que logo à partida definiu o que queria fazer: criar um som característico, sem barreiras, onde a liberdade de ideias e movimentos fosse total. E é por esse caminho que viajam procurando o som perfeito, sempre com a consciência de todos os riscos que isso poderá trazer. O álbum de estreia da banda está aí para todos aqueles que ousarem ouvi-lo e é completamente fiel á máxima da banda. O Marsupilami quis conhecer melhor estes senhores de Coimbra, e fez-lhes algumas perguntas. As respostas podem ser lidas duas linhas abaixo…

Antes de mais, obrigado aos Hanging By A Name por aceitarem responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.

Marsupilami (M) - Quando e como é que tudo começou? Qual era o objectivo quando decidiram formar os Hanging By A Name?

Feliciano (F) - Nós é que temos que agradecer por terem mostrado interesse em saber mais acerca da banda. Os Hanging começaram a ensaiar com estes 3 membros em Julho de 2006. Na altura tanto eu como o Santiago estávamos a trabalhar noutro projecto e devido a uma série de circunstâncias estávamos a sentir-nos apertados, limitados por uma série de restrições que achávamos desnecessárias e contraproducentes e portanto a criação dos HANGING BY A NAME teve sobretudo o propósito e objectivo de nos proporcionar essa liberdade de exploração de novas abordagens à música de que sentíamos falta. Quando conhecemos o Adílio e começamos a ensaiar com ele as coisas desenvolveram-se tão rapidamente e de forma tão satisfatória que decidimos abandonar o outro projecto em que estávamos a trabalhar e dedicar-nos a 100% aos Hanging.

Santiago (S) - Tudo o que ele disse acima. Na verdade eu só queria era partir a bateria um bocadinho mais, e como o Feliciano tinha riffs porreiros feitos para isso, lá começou a viagem. Confesso no entanto que ao início estava difícil de recrutar o Adílio, mas quando ouviu as músicas não nos conseguiu resistir. E quando nós o ouvimos a tocar também não lhe conseguimos resistir. Foi amor à primeira ouvidela.

Adílio (A) - Sim, tive sorte, eles curtiram a minha maneira de tocar. Como disse o Feliciano, a possibilidade de seguir caminhos diferentes em termos musicais é o grande motor dos Hanging. Sabemos que é um risco. Mas se não pudermos fazer aquilo que queremos e gostamos não vale a pena andarmos nestas andanças.

M – Ao fim de apenas um ano de existência, lançam o vosso álbum de estreia. Como tem sido o feedback ao vosso álbum homónimo?

F – Tem sido interessante porque temos realmente tido bastante feedback sobretudo por parte das pessoas que descobrem o nosso trabalho através da net. Esforçamo-nos por ter um contacto estreito com as que nos deixam a opinião delas acerca do nosso trabalho e tem sido muito gratificante conhecer pessoas de todos os países do mundo e de perceber porque é que elas se relacionam com a nossa música e o que encontram nela de positivo. Claro que o contacto directo, sobretudo aquele que acontece nos concertos, é também muito importante e felizmente tem sido até agora bastante positivo também.

S – Excepto aqueles senhores num dos nossos primeiros concertos que disseram que tocávamos muito alto. Culpado.

A – O que me surpreende, ou não, é que de facto há pessoas que ficam entusiasmadas connosco. Claro que já tivemos opiniões menos favoráveis, mas a grande maioria é muito positiva. A Net tem sido um meio muito bom de dar a conhecer o nosso som. Eu fico pasmado quando recebemos uma mensagem de um rapaz da Arábia Saudita a dizer que nos adora... que está simplesmente perfeito. Só podemos ficar orgulhosos quando alguém, fora (ou dentro) deste cantinho que é Portugal, elogia o nosso som.

M – O que querem transmitir através do vosso som, a todos aqueles que vos ouvem?

F – Há no nosso trabalho uma historia, uma ideia base, mas achamos muito mais interessante dar ás pessoas a liberdade de pegarem nessas pequenas pistas que vamos deixando espalhadas e vê-las construir a sua própria interpretação daquilo que seria a nossa intenção original e é óbvio que se torna tudo muito mais interessante quando decidem partilhar connosco essa mesma interpretação que fizeram.

S – Poder, Suor, Emoção, Arrepios na espinha, Pele de galinha, Confusão, Lágrimas e Sorrisos.

A – Histórias... nós começamos, as pessoas podem continuar essa mesma história. Através das suas próprias vivências... sonhos... imaginação... desejos. Gostaríamos que as pessoas sentissem alguma coisa quando ouvem a nossa música.

M – Onde vão vocês buscar a inspiração? Coimbra é realmente a cidade inspiradora de que tanto se fala?

F – É como todas as cidades, tem coisas boas tem coisas más, felizmente as boas superam as más do nosso ponto de vista. Acho que faz parte da nossa identidade como banda também... ...talvez não a herança rock'n roll/rockabilly porque com essa temos muito poucos pontos de contacto em termos de identidade musical, mas a vivência da cidade está lá na nossa música.

A – Em Coimbra há muitas bandas... muita coisa se faz em Coimbra em termos musicais e de boa qualidade. O problema é que não há um único sítio em condições para estas bandas tocarem. A não ser que faças parte do "circulo". E quando há concertos mais alternativos... aparecem meia dúzia de pessoas. As pessoas acomodam-se, reclamam... falam... mas mexerem-se... pois sim. A nossa música é essencialmente urbana... poderá ser essa a inspiração que Coimbra nos dá. Os movimentos... as luzes... o passo apressado... as vozes... as histórias que construímos sentados numa esplanada com as pessoas que passam. Nesse aspecto Coimbra consegue ser inspiradora... não é demasiado frenética e conseguimos assimilar alguma coisa do que nos rodeia.

M – Depois do álbum lançado, segue-se a parte (mais) complicada, a divulgação. Têm sentido dificuldades nesse campo? E como a têm feito?

F –
Alguma... a que seria de esperar. Quando nos propusemos fazer este tipo de música sabíamos à partida que haveria uma série de meios aos quais seria muito difícil ter acesso. Quer dizer, basta ouvir 5 minutos de uma rádio nacional para se perceber que o que fazemos nunca iria encaixar numa playlist deles. É natural, é assim que as coisas funcionam e de certa maneira isso obriga-nos a ser mais criativos na forma em que tentamos divulgar o nosso trabalho, isso levou-nos por exemplo a apostar forte na net, nas redes sociais como o hi5 e o myspace e encorajar as pessoas a interagirem directamente connosco, a Lástima tem feito também um trabalho interessante de divulgação junto de vários blogs que lidam com a temática da música e não só. É claro que há ainda o levar o disco para a estrada, coisa que ainda não tivemos a oportunidade de fazer com tanta intensidade quanta desejávamos mas que esperamos mude pelo menos lá para o início de 2008. Há planos, há ideias que queremos concretizar brevemente que serão na nossa opinião interessantes e de certa maneira uma novidade no que diz respeito à divulgação de um trabalho por parte de uma banda. Fiquem atentos...

A – O Feliciano está a ser "bonzinho" neste aspecto, tem sido difícil. Infelizmente a maioria das pessoas que anda à volta da música, e dos músicos, apenas vê dinheiro à frente. Não interessa se é bom ou não, o que interessa é que venda. Mas isto é algo que vai continuar a acontecer. Nós já sabíamos, desde o princípio, que não seria fácil. O nosso objectivo é chegar onde pudermos e nos deixarem. O meio alternativo será o grande objectivo. É nesse meio que nos movimentamos, foi nesse meio que nos conhecemos. Sabemos que o caminho pode ser tortuoso e longo. Mas estamos preparados para isso.

M – A vossa editora – a Lástima – aposta sobretudo na net como principal meio de divulgação das bandas e dos trabalhos das bandas e artistas com quem trabalha. Qual é a vossa opinião em relação á música vs net que se vive hoje em dia?

F – É um falso problema, a net foi a melhor coisa que podia ter acontecido às bandas. Quem levanta este alarido todo são as grandes editoras que se viram apanhadas com as calças na mão e perderam aquilo que lhes dava controlo sobre a indústria musical que era o monopólio da distribuição e meios de gravação. Em vez de se tentarem adaptar e a avançar com os tempos continuam agarradas a um paradigma de negócio que já não funciona, alienaram os seus potenciais clientes acusando-os de serem criminosos e aumentaram os preços do produto que vendiam. Basta olhar para o que os radiohead e os Nine Inch Nails estão a fazer agora para se perceber que a net não ameaça o futuro dos músicos ou da música, ameaça sim quem até agora vivia à custa deles. Temos que dar crédito à Làstima por acreditar na distribuição gratuita através da net como sendo a via do futuro e por optar por uma licença da Creative Commons que permite às pessoas partilharem livremente a nossa música.

A – Vejo como uma lufada de ar fresco. É bom não depender de revistas e jornais para conhecermos coisas novas... e são sempre tendenciosos. É bom podermos traçar o nosso caminho de busca... o caminho que queremos acima de tudo. E, como disse o Feliciano, o futuro da divulgação musical passa essencialmente pela internet. As grandes editoras vão ver-se à rasca... cada um tem o que merece.

M – Acham que existem locais suficientes tanto em quantidade como em qualidade, para bandas como os Hanging By A Name se mostrarem ao vivo, quer em Coimbra, quer no resto do país?

S – Falando de qualidade, a maioria dos donos dos bares não fazem a mínima ideia do que é preciso para se pôr uma banda a tocar. Compram um PA com potência suficiente para pôr a tocar o CD preferido da malta e esquecem-se que só o som da tarola abafa qualquer som que eles ponham a sair pelas colunas. Outro problema é o facto de não haver um único bar (tirando uma ou outra excepção) que tenha algum tipo de tratamento acústico, por mínimo que seja, com vista a melhorar o som dentro do mesmo. Há sítios onde os pratos da bateria soam estupidamente altos porque o bar tem o chão em pedra ou cimento e as paredes em azulejo. Tocando mais baixo, falando especificamente do baterista, pode resultar para uma banda de jazz ou pop ligeiro e resolveria alguns dos problemas mas se for algo que queira mostrar mais energia, rock no nosso caso ou metal por exemplo já não será a mesma coisa e o concerto perde logo por aí.Há demasiadas preocupações com a estética e poucos bares que apostem em música ao vivo (especificamente, a mais pesada). Era bom que isso mudasse, mas aí já íamos falar das mentalidades... Espero que num futuro próximo isso aconteça.

A – Subscrevo tudo o que o Santiago disse. Em Coimbra esquece (mas verdade seja dita, quando havia o público também não aderia), no resto do país depende. Para um som como o nosso é complicado porque vive muito de volumes. É um som que precisa de espaço. E muitos sítios onde se fazem concertos não se dão bem com volumes elevados.

M – Qual é a vossa opinião em relação ao actual panorama musical português?

F –
O problema é que tens dois panoramas musicais, o que está escondido, onde se fazem realmente coisa interessantes e novas e o mainstream que aposta especificamente em produtos que apelam ao mínimo denominador comum, de audição fácil, para consumo imediato e dá ás editoras lucro a curto prazo. Um dia esperamos que as pessoas se cansem de ouvirem vezes sem conta reciclagens dos mesmos conceitos e que ganhem coragem de procurar um bocadinho abaixo da superfície.

S – O tal panorama escondido a meu ver está a crescer, forte e recomenda-se. Há cada vez mais e boas bandas portuguesas a surgirem.

M – E em relação ao estado geral do nosso país?

F –
O nosso país é um país como os outros, não é pior nem melhor e acho que a única coisa que se pode dizer em relação a Portugal é que devíamos talvez preocuparmo-nos menos com este complexo provinciano que temos de sermos inferiores aos outros e concentrarmo-nos em criar condições de melhorar a educação em geral. Um país educado tem sempre vantagens em relação a um que não é.

M – E agora, quais os próximos passos dos Hanging By A Name?

F –
Uff, são muitos. Ainda temos a maior parte do percurso à nossa frente. Promover este trabalho da melhor forma possível, apresenta-lo de forma funcional e competente ao vivo, continuar e aumentar a plataforma de divulgação e distribuição pela net, etc. etc. Estamos sempre a fazer várias coisas ao mesmo tempo e nunca estamos parados, neste momentos estamos por exemplo a acabar de escrever os temas as músicas para o nosso segundo trabalho, a completar aquele que será o nosso novo website, a preparar um novo blog, o trabalho nunca pára. (risos)

M – A última pergunta, qual é a vossa personagem de banda desenhada preferida?

F -
Bucky Katt do Get Fuzzy pelo Darby Conley

S – Spiderman e Batman.

A – Bem... o Tio Patinhas... era um badass... e ainda é... se bem que já há uns tempos que não o vejo.

Curiosidades:

M - Porquê o nome Hanging By A Name?

F – Foi o nome mais consensual de entre todos os que nos lembramos? Aliás eu acho que acabou por ganhar por desistência não? Sei lá, é mais a banda que faz o nome, que o nome que faz a banda.

M – Influências?

F –
Essa é sempre uma pergunta injusta. Tudo o que nos passa pelos olhos ou ouvidos e deixa marca, levanta perguntas ou nos faz pensar.

A – De facto... As influências são muitas para enumerar... mas posso dizer que as minhas referências são o Cliff burton e o Brian Ritchie... sem eles... nesta altura devia estar a ouvir qualquer coisa como a Britney Spears... ou a Aguillera...

S – Músicas boas e músicos bons.

M – Bandas nacionais que têm ouvido?

F – A Raiz, Luís Costa e Kyoto.

A – The Partisan Seed, Green Machine, Mosh, BiarooZ

S – Budhi, Riding pânico, Mosh, A Raiz, Insert Coin, Madcab, Lobster, Luís Costa, Chemical Wire, More than a Thousand, My Cubic Emotion, Monomonkey, Kyoto, David Fonseca e acho melhor parar por aqui que ainda me chamam de nacionalista.

Myspace dos Hanging By A Name
Hanging By A Name na Lástima (onde pode ser feito o download do álbum de estreia, gratuitamente)