segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Skypho

Sempre de uma forma descontraída, os Skypho foram criando um espaço próprio, um som característico que os define. Ao longo dos anos, foram tornando-se mais coesos, e as coisas foram-se tornando mais “sérias”, até porque as pessoas começavam a segui-los para onde quer que fossem… Em 2007 lançam o EP de estreia (se poderá ser considerado dessa forma) "Nowhere Neverland", um EP poderoso, e que tem recebido muito boas criticas, quer por parte da imprensa especializada, quer por parte dos amantes de música! O Marsupilami não ficou indiferente aos Skypho, bem pelo contrário, e por isso mesmo esteve á conversa com Hugo Sousa, guitarrista da banda! A conversa segue já de seguida…

Antes de mais obrigado a ti, e aos Skypho por aceitarem a responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.

Obrigado eu!

Qual era o objectivo quando decidiram formar a banda?

O principal objectivo é o que a maioria das bandas quando se juntam têm (acho eu), que é estar com os amigos a tocar música que se gosta...

Hoje esse objectivo de certa forma deve ser diferente...

Quer dizer... Acho que isso é algo que deve estar sempre presente. Se nos deixarmos de divertir é muito mau! Mas nos últimos tempos, também tivemos que começar a pensar de uma forma um pouco mais profissional, digamos assim. A partir do momento que a nossa música começa a chegar a mais pessoas e que recebemos opiniões boas, acho que se deve pensar seriamente em ponderar a brincadeira.

Apesar de já terem gravado 3 demos, este EP é algo mais "sério", tendo sido gravado num estúdio profissional com produtor. Encararam dessa forma este EP? E porquê só agora, passados 8 anos?

Acho que os Skypho só começaram verdadeiramente com a anterior demo/CD "Hidden Faces". A partir daí as coisas começaram a acontecer de uma forma mais espontânea. Acho que até essa altura nos faltava muita maturidade enquanto banda. A aposta tardia num EP profissional deve-se antes de mais à falta de meios financeiros para o realizar.
Aproveitamos o prémio de um concurso para avançar com este projecto, contudo, mais cedo ou mais tarde teríamos que apostar em algo deste género, caso as nossas pretensões fossem para ir mais além que tocar em concursos de bandas e pouco mais.

E como tem sido a reacção das pessoas, tanto em relação ás vossas demos, como ao vosso mais recente trabalho, o EP “Nowhere Neverland”?

Felizmente as pessoas têm reagido bem ao que temos feito. Em relação ás demos, recebemos muito boas críticas por parte de quem divulga a música, como é o teu caso, por exemplo. Em relação ao novo EP ainda andamos a tratar da promoção mas já recebemos críticas bastante boas, outras nem tanto mas é como tudo. Não se pode agradar a toda a gente. Felizmente, a maioria das pessoas tem criticado o nosso trabalho de uma forma bastante positiva.

Onde vão os Skypho buscar a inspiração para as músicas?

A nível lírico o nosso vocalista escreve as letras todas e são baseadas em experiências pessoais dele, em coisas que lhe dizem algo. A nível musical tudo nos influencia, desde cenas que ouvimos há 15 anos, até ás bandas novas que vão aparecendo. Gostamos de fazer misturas e ver no que dá...

A nível da divulgação, têm sentido dificuldades em divulgar o vosso trabalho? E como o têm feito?

Temos enviado o EP para rádios, revistas, blogs, para todo o lado em Portugal e também para o estrangeiro. Aos poucos vão sendo lançadas reviews ao EP. Ainda recentemente foi publicado uma review num site Austríaco. Tem corrido bem! Também existem alguns programas em rádios locais, que passam a nossa música.

Quanto á net... Têm utilizado e "abusado" dela para ajudar na vossa divulgação? Qual é a tua opinião relativamente á net vs musica, e consequente partilha/pirataria? Acham que poderá ajudar ou prejudicar uma banda como os Skypho?

Hoje em dia a net é uma forma muito poderosa de ajudar as bandas a serem conhecidas. Temos aproveitado esta ferramenta para nos dar a conhecer, principalmente através do Myspace. Relativamente á partilha de música na net, sinceramente, acho que ajuda bandas como nós. Quantas mais pessoas nos ouvirem mais pessoas poderão gostar daquilo que fazemos. Além do mais hoje em dia não é a vender cd’s que as bandas fazem dinheiro. Acho que se está a tentar criar um monstro com esta questão da pirataria. Acho que apenas artistas grandes como os Metallica ou os U2 e afins, poderão perder muito dinheiro com isto, mas sinceramente se eu ganhasse o que eles ganham por ano, acho que não me chateava muito com questões destas...

Acham por exemplo, que um dia poderiam mesmo lançar um álbum pela net, totalmente gratuito?

Nunca se sabe! Apesar de algo deste género pressupor que exista uma forma de compensar um investimento tão elevado, com concertos por exemplo... Apesar que também não é fácil ganhar dinheiro a tocar em Portugal... Não é fácil ser-se músico em Portugal!

Por falar em concertos... Achas que existem locais em número e qualidade suficientes no nosso país?

Acho que para a quantidade de bandas que existem não... E depois existem zonas onde é incrível não haver um único sitio onde se possa tocar. Dou como exemplo a cidade de Aveiro. Não existe 1 único sítio para bandas de metal poderem tocar. Sinceramente não percebo. Depois existe também dificuldade em conseguir contactar bares onde se possa tocar. Mas com esforço e procurando bem, é possível tocar...

Tendo consciência dessas dificuldades, qual é a tua opinião em haver tantos festivais de verão? Achas que se devia dar mais oportunidades às bandas nacionais, nesses mesmos festivais?

Não tenho nada contra os festivais, mas não acho nada bem a forma como são organizados. A quantidade de bandas más estrangeiras que trazem cá é enorme. Acho que deviam apostar em mais bandas portuguesas, porque acho que temos muito boas bandas, que provavelmente dariam grandes concertos e não deixariam as pessoas desiludidas.
Outra coisa que também não concordo é porem bandas portuguesas a abrir sempre os festivais. Dou um exemplo: no Act. I do SBSR, na minha opinião e acho que na opinião de 99% das pessoa que lá estavam, os Men Eater e os MT1000 eram muito superiores aos Blood Brothers, e deram muito melhores concertos. Porque raios tocaram eles, antes desses gajos!?

Qual a tua opinião em relação ao actual estado do nosso país?

Bem, acho que a nível político, isto não anda nada bem... Todos nós sabemos a quantidade de desempregados que há, os elevados impostos que pagamos, os preços exagerados de bens essenciais que temos que pagar... bem... nunca mais me calava! Temos é que ter esperança em que isto vai passar rapidamente..... Quanto á música que por cá fazemos, acho que vivemos um excelente momento. Temos grandes bandas a aparecer, outras já excelentes que mantêm a qualidade. Acho que apenas nos falta conseguir fazer chegar a nossa música lá fora, da maneira como os grandes Moonspell conseguiram.

Quais os próximos passos dos Skypho?

Para já passa por tocar muito ao vivo, para promover este EP. Também gostaríamos de arranjar uma editora que nos pudesse ajudar a chegar a mais pessoas. Depois vamos ver quando estaremos prontos para gravar um álbum. Não queremos esperar muito tempo por isso. Ah, e vamos gravar ainda durante Setembro um videoclip também…

Curiosidades:

Porque o nome Skypho?

Era preciso um nome, e na altura quem estava na banda gostou deste nome que está ligado ao artesanato medieval.

Influências?

No início era claramente Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Nirvana e a cena grunge. Agora somos influenciados por muitas coisas, desde bandas como Korn ou Deftones a bandas como Primitive Reason. Mas tentamos fazer algo próprio, e acho que o conseguimos, embora muita gente não concorde comigo...

A formação não foi sempre a mesma, pois não?

Não. No início eram quatro rapazes (Carlos, Fontoura, Vítor e Ricardo). Depois saiu o Vítor e entrei eu (Hugo) e mais tarde entrou o Zé e o Carlos Vidal.

Que bandas nacionais tens ouvido?

Tenho andado a ouvir Moonspell, Men eater, Digamma, Ornatos Violeta, entre outros.

Agora uma última curiosidade... Qual é a tua personagem de banda desenhada preferida? (risos)

(risos) Sem dúvida o Calvin e o seu inseparável amigo Hobbes, embora o Homer Simpson também tenha o seu charme, mas sou grande fã do Calvin.

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