segunda-feira, 30 de julho de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Budhi

"Quatro punks a tocar jazz!". É desta forma que definem o som que criam, e na minha opinião, a melhor forma de os definir! Eu vi-os há uns anos atrás, e hoje, apesar da natural evolução e amadurecimento, eles continuam os Budhi. Quando se juntam a tocar, como que criam uma alma, um mundo deles, e que partilham com quem os ouve. O Marsupilami falou com eles, e tentou entrar na alma da banda... mas essa só a eles pertence. A conversa segue já de seguida...

Antes de mais, obrigado aos Budhi, por aceitarem responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.

Marsupilami (M) - Qual era o objectivo dos Budhi quando decidiram formar a banda?

Budhi (B) - Talvez o principal objectivo fosse criar, neste caso música e um espaço de partilha para quatro amigos se divertirem aos fins-de-semana. É importante referir que antes de sermos os Budhi já tocávamos os quatro juntos nos Prune há aproximadamente 2 anos. Os Budhi surgem com o objectivo de transcenderem aquilo que eram as vulnerabilidades musicais e grupais dos prune. Foi um renascer para uma nova fase de existência da banda.

M - Ao fim de quase 8 anos de vida, e depois de um EP lançado em 2001, lançam o vosso primeiro álbum. Porquê só agora?

B - Antes deste álbum já tínhamos lançado 2 E.P.’s, um em 2001 e outro em 2004. O álbum apenas surge neste momento pois anteriormente não estavam reunidas as condições para tal. Compatibilizar as nossas vidas profissionais com o panorama musical actual pode ser uma tarefa árdua e por vezes castradora. Basicamente, todo o processo desde a composição, gravação, mistura, edição, concepção gráfica, promoção e distribuição deste álbum foi, ou está a ser assegurado e financiado por nós.

M - As vossas músicas, como poderei dizer isto, não são canções, ou seja, não seguem o tradicional verso-refrão-verso-refrão, mas funcionam como que uma história com principio, meio e fim. Não é que seja algo de completamente novo, mas é sempre algo que foge ao banal. Tudo isto para perguntar: como funciona o vosso processo de composição?

B - De forma bastante eficaz e espontânea. Não existe um método nem um mentor. Cada um contribui com as suas ideias e juntos vamos construindo uma narrativa musical livre que normalmente apenas fica concluída no estúdio. É, na nossa opinião, uma das vantagens de tocarmos juntos há 10 anos.

M - Onde vão buscar a inspiração para as vossas músicas?

B - Grande parte da inspiração surge desta vontade genuína e imutável de tocar e compor que todos sentimos desde o primeiro momento. É óbvio que as muitas centenas de bons discos que ouvimos ao longo da nossa existência enquanto banda também estimularam a nossa inspiração.

M - Dizem no interior do vosso cd, que “KOAN é uma história, um diálogo, uma questão ou ideia”. Que querem dizer ás pessoas com “KOAN”?

B - Essencialmente Koan é tudo isso, tendo como objectivo a reformulação de conceitos e julgamentos que promovem a infelicidade, ou seja, pressupõe uma ruptura de conduta que visa uma mudança de atitude . É essa a temática do álbum.

M - Como tem sido a recepção ao vosso álbum?

B - Até ao momento positiva. Quer por parte dos fãs, quer daqueles que nos ouvem pela primeira vez, temos obtido reacções boas e motivadoras.

M - Segue-se uma fase complicada que é a fase da divulgação. Têm sentido dificuldade, e como pretendem a fazer? Ainda sobre a mesma questão, a net terá um papel fundamental nesta fase?

B - Não é fácil promover um produto eficazmente quando não tens tempo nem meios para tal. Com isto queremos dizer que a falta de uma editora, de agente e de uma distribuidora não facilitam em nada. No entanto, não vamos cruzar os braços. Utilizaremos a estrada como forma privilegiada de divulgação, assim como a internet, que actualmente é essencial para qualquer projecto poder promover a sua música. Aliás, lançamos recentemente um single com 3 temas pela netlabel “rasarte”, o que tem permitido dar a conhecer a nossa música a um maior número de pessoas.

M - Acham que a net, e mais precisamente os programas P2P e consequente partilha/pirataria, poderá ajudar ou prejudicar uma banda com os Budhi?

B - Sinceramente, não ajudam nem prejudicam. Somos apenas mais uma banda, porventura desconhecida, no meio de milhares, num tipo de sistema que actualmente funciona como uma selva. Se não existir critério e organização nestas novas formas de divulgação dificilmente uma banda é beneficiada.

M - Pensam editar o vosso álbum lá fora?

B - Da mesma maneira que pensávamos editar cá dentro!!(risos). Enviamos alguns (poucos) cd’s para editoras europeias e americanas mas não obtivemos respostas. Mas é uma possibilidade que não descartamos, uma vez que o mercado do rock pesado noutros países consegue ser bastante mais interessante e funcional do que em Portugal.

M - Qual a vossa opinião em relação ao actual panorama musical português?

B - Do ponto de vista da produção musical e novos projectos julgamos que o país está cada vez melhor. Infelizmente estas novas bandas e mesmo as que já marcaram a sua presença no meio não têm a vida facilitada. Somos um país pequeno, desorganizado e as oportunidades que as bandas actualmente possuem para promover a sua música escasseiam. Não existe um circuito para as bandas tocarem, as editoras estão na falência, não existem apoios estatais e o país continua a sofrer de uma centralização dos recursos e oportunidades altamente nefasta.

M - Acham que existem locais em número e qualidade suficientes para uma banda de apresentar ao vivo?

B - Em número existem em qualidade não. São raríssimos os espaços com condições para as bandas tocarem (em cada 20 concertos encontramos um local com um bom P.A. e boa acústica). Como se não bastasse, com esta “hiper-festivalização” da música apenas promovemos comportamentos culturais que inviabilizam cada vez mais a criação de espaços com qualidade para tocar.

M - Que acham do actual estado do nosso país?

B - Fazendo a analogia com o panorama musical em termos de oportunidades e estabilidade...péssimo!

M - E agora, com o álbum pronto, quais os próximos passos dos Budhi?

B - Continuar na estrada a promover o álbum até ao final do ano e depois disso compor músicas novas e pensar num segundo álbum.

M - Para terminar, qual o vosso personagem de banda desenhada preferido? Isto se gostam de banda desenhada! (risos)

B - Não temos.

Curiosidades:

M - Porquê o nome Budhi?

B - Surge do budismo e significa iluminação, passar para um novo patamar, nível de existência. Teve a ver com mudança que se operou naquele momento da banda em que deixámos de ser os prune.

M - A formação foi sempre a mesma desde o início?

B - A formação foi sempre a mesma.

M - Influências?

B - As mais variadas, desde o metal ao jazz, passando pela música do mundo, funk, electrónica, etc.

M - Bandas nacionais que têm ouvido?

B - Eak, Mosh, Pluto, Fadomorse, Blasted Mechanism, Carlos Bica & azul entre muitas outras.

Myspace dos Budhi
Sítio dos Budhi

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