quarta-feira, 20 de junho de 2007

Na Grafonola do Marsupilami com os Slim Jim

Os Slim Jim vêm de Ovar. Apesar do pouco tempo de existência efectiva da banda, cerca de um ano, já têm algumas histórias para contar, e até um prémio na bagageira. O segundo concerto da banda é no concurso Rock Tirso, passam á final, onde dão um concerto memorável, e ganham mesmo o referido concurso. O Marsupilami convidou Hernâni, guitarrista e vocalista da banda, para uma pequena conversa. O local é uma espanada de um bar de Santa Maria da Feira. Não está um sol radiante, mas está-se bem. A conversa segue já de seguida…

Antes de mais obrigado aos Slim Jim, e a ti em particular, por aceitarem responder a algumas perguntas que vos queria fazer. Obrigado.

Como é que tudo começou?

Nós os três [actuais membros dos Slim Jim] já tocamos juntos à cerca 10 anos, só que tivemos sempre outras bandas e tivemos muito tempo parados sem vocalista, tivemos muitos ‘filmes’ mesmo para encontrar um vocalista, e esta banda surgiu a partir do momento em que comecei a cantar. Nós estávamos a gravar num estúdio em Miramar, de onde saíram as duas músicas da nossa demo, e estávamos a gravar porque na altura tínhamos uma vocalista connosco tendo até já gravado uma primeira demo em casa de um amigo, com ela. Nessa altura procurávamos uma vocalista, e quando ela apareceu, ficamos muito contentes, porque era mesmo o que procurávamos e porque ela tinha muita força de vontade, e chegamos mesmo a pensar que ela era a pessoa certa. Só que nessa primeira demo, encontramos algumas incompatibilidades, decidimos voltar aos ensaios, ensaiar mais, tentar corrigir algumas coisas, e passado um tempo fomos então para Miramar gravar de novo, só que não foi possível gravar com ela. Achamos que não dava, que ela era incompatível com aquilo que nós pretendíamos. E foi nessa altura que o técnico de estúdio sugeriu que eu canta-se. Estávamos lixados, porque não encontrávamos ninguém para cantar. Mas ele pôs-nos á vontade e disse que deixava as músicas que estavam gravadas em stand-by e quando eu me sentisse á vontade voltava de novo lá. E foi isso mesmo que aconteceu, e consegui gravar duas músicas. E tudo isto para dizer que foi aí que a banda começou na realidade, e sendo assim a banda tem mais ou menos um ano.

E depois disso tudo, sentem-se completos como banda?

Não. E agora temos outro problema. Enquanto que a voz foi um problema durante muito tempo, agora o problema é as máquinas. É que nós em estúdio utilizamos as máquinas, e nós adoramos esse lado. Acho que é uma característica muito boa, que nós adoramos, e que queremos que continue connosco. É a mistura do rock com os sintetizadores que somos fãs. Aliás eu sou fã de bandas como os Prodigy, que considero uma das melhores bandas de sempre, entre muitas outras do género. Nós gostamos dessa característica, e as pessoas que ouvem a demo, quando vão ver ao vivo, o som e diferente, é muito mais rock e cru porque não tem as máquinas, e por isso mesmo queremos encontrar alguém para as máquinas, mas está muito difícil, até porque aqui em Portugal, ao contrário do que se passa lá fora, as pessoas que tocam sintetizadores não curtem rock. Aliás, mal ouvem um acorde com distorção fogem logo. Por isso quem curtir sintetizadores e rock, pode entrar em contacto connosco, porque gostávamos de encontrar alguém com esse perfil. (risos) Entretanto estamos a pensar na ideia de meter um outro guitarrista, que é um amigo nosso de longa data. A ideia, não sei se funcionará ou não, é que trabalhe á base de efeitos de guitarra e que de alguma maneira consiga substituir as tais máquinas.

Como é que tem sido o feedack na vossa terra, ou seja Ovar?

Tem sido boa, temos algumas pessoas que já nos conhecem minimamente, vão aos nossos concertos, compram a nossa demo… Tem sido muito boa!

E quanto á vossa divulgação, que para mim é a parte mas difícil…

Sim… é muito complicado. Nós agora estamos a tentar tocar fora de Ovar, tocar noutros sítios do país, e têm surgido algumas oportunidades, embora não sejam na quantidade que desejamos. Estamos a trabalhar agora com uma agência, que por acaso estava ligada muito á música de dança, mas que agora está a entrar noutros estilos musicais também, nomeadamente no rock, e está a ajudar-nos nesse campo.

Vocês ganharam no concurso Rock Tirso. Que vos trouxe isso de novo, e de bom?

Foi muito bom ganhar. É assim, quando se ganha qualquer coisa sabe sempre bem, e nós nunca tínhamos ganho nada, e é bom para a auto-estima e para a moral da banda, e nós sentimo-nos muito bem com esse prémio.

Durante o concurso, sentiram de alguma forma que o poderiam ganhar, ou surpreendeu-vos completamente?

Não, nada. Havia concorrência forte, muito forte, e não estávamos mesmo nada á espera. Tanto é, que na primeira eliminatória nós não ganhamos, fomos tipo repescados, só que depois na final correu bem, demos grande concerto, e as pessoas gostaram… Ainda para mais, foi o nosso segundo concerto. Nós tocamos há muitos anos juntos, mas sempre na garagem, ao vivo é diferente, e não estávamos mesmo nada á espera de ganhar.

Desde a primeira que vos ouvi, via Myspace, que achei que vocês eram um pouco diferentes daquilo que se tem feito por este país…

Eu também acho que sim (risos), não é por nada, mas… As bandas que tenho ouvido, não todas claro até porque há banda que se destacam de forma positiva, mas muitas bandas portuguesas parecem que fazem todas a mesma musica, que têm todas o mesmo som! Nós tentamos ser diferentes, temos as nossas influências que se notam, mas como disse tentamos ser diferentes, e acho que no geral não somos colados a ninguém. Isso é uma mais valia.

O rótulo “rock alternativo”, achas que vos assenta bem?

Nós somos alternativos porque ninguém nos conhece, mas o nosso objectivo é que o maior número de pessoas nos conheça. Nós não somos aquilo tipo de banda alternativa que nos sentimos bem e que pouca gente nos conheça… Nós queremos que o nosso som, e temos essa preocupação e consciência, chegue a muita gente. Que seja um rock forte e com power, mas que as pessoas consigam ouvir, porque o rock é para as pessoas ouvirem. E o que nós queremos, e somos sinceros, é que toda a gente nos conheça e gosto do nosso som, é grandes palcos... (risos)

Para quando um álbum dos Slim Jim?

Um álbum é o que nós queríamos, mas queremos crescer mais um bocado, tocar mais ao vivo e ver se conseguimos impressionar alguém. Alguém que tenha o poder, e nos ajude para podermos então gravar um álbum. Entretanto, estamos a pensar em gravar um EP, vamos nos concentrar nisso e dar o máximo nessa gravação.

Mas ainda sobre o facto de dizeres que esperas que os Slim Jim impressionem alguém nomeadamente uma editora. Já pensaram em fazer as coisas por vós próprios?

Nós próprios!? É complicado, para não dizer muito complicado. Há muitas bandas a fazer isso, mas ainda assim acho complicado. E também é verdade que existimos à muito pouco tempo, por exemplo esta é a nossa primeira entrevista, por isso vamos dar um pouco tempo ao tempo, e ver como as coisas correm.

Que pensam sobre o actual explosão da net como grande aliado na divulgação da música?

Acho muito bom, mas é preciso definir limites. É uma coisa que nos interessa e que vamos pensar seriamente no que fazer quando tivermos o nosso EP gravado. Vamos utilizar a net como meio de divulgação da banda sem dúvida, com um site da banda, disponibilizar as músicas na net… Agora se será a pagar para ter as nossas músicas ou não, isso será uma coisa a decidir na altura.

Qual a vossa opinião relativamente aos programas P2P e consequente pirataria/partilha via net que se vive hoje em dia? Na vossa opinião, poderá ajudar ou prejudicar uma banda como os Slim Jim?

Tem os dois lados. Pode ajudar até mais as bandas que estão a começar, mas as outras saem prejudicadas. E depois essa pergunta leva-nos ás velhas questões das editoras baixarem os preços do álbuns, essa confusão toda e sinceramente também não queria entrar por ai…

Achas que existem locais em quantidade e qualidade no país em geral, para suportar o panorama musical português actual?

Não existem na quantidade e qualidade que desejamos, mas acho que existem alguns locais sim, e até acho que até dá para se fazer um percurso. Acho que vai havendo, embora haja muito ainda por se fazer, e que se pode fazer.

Sei que estiveste nos Estados Unidos, lá essa realidade é diferente…

Sim, sem dúvida, lá toca-se mais, há mais locais para se tocar. Mas isto tudo tem a haver com a economia do país. E ainda voltando á questão anterior, de os álbuns estarem caros, é assim, se houver dinheiro as pessoas compram, vão aos concertos… O problema são que as pessoas actualmente não têm dinheiro para nada, muito menos para comprar música, e falo por mim. Eu adorava comprar discos, e vou ser sincero, há muito tempo que não compro um álbum, porque não tenho dinheiro para dar 17€ por um álbum, ainda para mais que não gosto de comprar um álbum por ano. Há uma porrada de discos que gostava de ter e mas assim é impossível… Agora voltando de novo ao facto de ter estados nos EUA, lembro-me de uma entrevista dos POD, onde diziam que venderam 20.000 cópias do álbum deles, sem terem editora e apenas a vender nos seus concertos. 20.000 cópias é platina em Portugal... É o poder de compra!

Para além do EP que pensam gravar, planos para um futuro próximo?

É assim, nós começamos a tocar ao vivo há muito pouco tempo, para ser mais preciso em Abril. Nós estávamos a precisar disso, estávamos á muitos anos na garagem, surgiu a oportunidade de darmos uns concertos e aproveitamos. Agora vamos parar um bocadinho para pensar, para melhorar, até porque com estes concertos vimos que algumas coisas não estão a funcionar como nós queremos… Para já, vamos parar para melhorar aquilo que achamos que está mal. A seguir como já tinha dito, o EP.

Para terminar, qual a tua personagem de banda desenhada preferida? Ee é que gostas de bd... (risos)

É assim, gosto de banda desenhada, mas por acaso não tenho nenhuma personagem preferida… (risos)

Curiosidades:

Porquê o nome Slim Jim?

O nome da banda surgiu de uma viagem aos E.U.A que eu fiz, até por causa de descobrir um vocalista para a banda, e enquanto trabalhava num bar em New Jersey, e por ser muito magro, um idiota decidiu começar a chamar-me Slim Jim. Curti o nome, e achei que daria um bom nome para banda, e assim fico Slim Jim.

Influências?

Prodigy, Nirvana, Smashing Pumpkins, R.A.T.M, Muse, Machine Head, Goldfrap, entremuitas outras...

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